Humor... Por favor!

Por Rogério Beretta, para Coletiva.net

Quando os primeiros habitantes de nosso planeta obtinham sucesso na sua caçada, faziam questão de teatralizá-lo com toques de humor para que sua tribo pudesse desfrutar deste feito e, ao mesmo tempo, encorajar os novos guerreiros a repetirem a ação e, portanto, poderem também se exibir para sua comunidade. Este foi o primeiro passo reconhecido de uma atividade lúdica coletiva. Na Grécia se utilizavam basicamente da comédia de costumes e da sátira para levar informações do cotidiano à população, já que as Tragédias se encarregavam dos questionamentos espirituais e morais.

Na Inglaterra, o teatro ganhou muita força graças ao incentivo do rei Henrique VIII que, para fazer frente à Igreja Católica e se justificar junto aos seus súditos, encarregou companhias especializadas em sátiras para acabar com a imagem do Papa, bem como com sua credibilidade, facilitando, assim, a criação de uma religião comandada por ele na qual ele poderia casar-se várias vezes, segundo seu desejo. A população o apoiava rindo de seus oponentes e desafetos que eram ridicularizados em praça pública em sessões de comédias dramatizadas.

Hoje em dia, apesar da distância de tempo, se repete a fórmula de sucesso de nossos ancestrais: o humor comunica rápida e eficazmente, haja vista campanhas que se mantiveram vivas após muitos anos e gerações. Quem não se lembra da campanha da Bombril ou do Tiozinho da Sukita? E por aí poderíamos citar um sem número de publicidades. Mais atual, a campanha dos postos Ipiranga veio com força. Isso não acontece por acaso, e sim, porque o ser humano sempre tenta quebrar o gelo com simpatia e bom humor.

Quando chegamos a um local desconhecido, tentamos conectar com a pessoa ou grupo mais acessível, o qual, invariavelmente, é o que nos parece de melhor humor. O ser humano é assim e as empresas tentam se espelhar nele para vender seus serviços e produtos. Hoje em dia, com o 'boom' do mundo virtual, a tendência nas redes sociais é a utilização do humor para captar curtidas e compartilhamentos, mas devemos ter cautela para que o excesso de humor não desvirtue o foco inicial de nossa proposta.

Por isso, usar temas engraçados para comunicar, sim, mas com direcionamento correto, senão devemos deixar para os humoristas de plantão fazerem a plateia rir sem nenhum outro compromisso que não a alegria!

Rogério Beretta é ator e diretor teatral.

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