A dimensão do interdisciplinar

Por Jaqueline Sosinho, para Coletiva.net

A dimensão do interdisciplinar, matéria que nas últimas décadas tem sido objeto de estudo sob muitos guarda-chuvas conceituais, nesse texto aparece como elemento capaz de iluminar decisivamente a compreensão das demandas das empresas em publicidade, propaganda e todos os afins da indústria criativa. Estaremos, em particular, dando luz àquela tensão (necessária e positiva) entre a contribuição individual para a organização (papel das lideranças) e a utilização dos potenciais inerentes à empresa através de grupos de trabalho. Descreveremos aqui, esquematicamente como, do ponto de vista da Confluência, é possível atender ao cliente na interação entre diversos subprojetos e tarefas simultâneos, para uma mesma necessidade, a partir da conceituação e aplicação da Agência do Negócio.

A perspectiva de compreensão das demandas organizacionais só faz sentido dentro de uma abordagem interdisciplinar. Entendemos que é indispensável aproveitar as inteligências individuais, mas é somente através do efetivo uso da orquestração como um todo que se criam as condições necessárias às soluções duradouras. Pressuposto que, se olhado sob o vértice conceitual, necessariamente implica considerar a dimensão de "Agência" - alocação por demanda - e "Agência do Negócio" - alocação por demanda acrescida das perspectivas mono, multi e interdisciplinar.

Cabe aqui falar um pouco sobre processos intangíveis que são "condição necessária" para a caminhada no sentido de inteligência individual - inteligência coletiva e, mais especificamente, solução de problemas de forma individual (tarefa) - solução de problemas de forma coletiva (projeto). Entendemos que é no fazer organizacional (resolvendo problemas complexos) que faz-se emergir a ferramenta "mente coletiva". Onde coletivos organizacionais poderão, ao desenvolver a capacidade de funcionar como Grupo de Trabalho, se transformar em vetores organizacionais para a obtenção de soluções de problemas e ROI (retorno sobre investimento), simultaneamente.

Resumindo, criar coletivos que aprendam a funcionar como "Grupo de Trabalho" é função necessária, mas ainda não suficiente. A outra face da mesma moeda é a utilização dos passos do Pensamento Sistêmico, que reconhece a dialética entre os interesses e responsabilidades das partes e do todo, de forma recursiva. Ou seja, não é privilegiar as partes, ou o todo, mas, sim, reconhecer que operar em um mundo complexo, implica estar atento, ao mesmo tempo, às imperiosas necessidades das partes (dificuldades na entrega; restrições do sistema produtivo; problemas na cultura da empresa; ausência de uma política de governança sólida, entre outras), sem ignorar as relações do todo com seu em torno (mercado consumidor em baixa; maior eficiência dos competidores; restrições ou oportunidades externas que mudam exponencialmente e etc).

Por fim, cabe ressaltar que o indispensável desenvolvimento desse conjunto de condições no desenvolvimento da Agência do Negócio implicará, ou dependerá, por sua vez, de uma acoplagem estrutural processual dentro de uma lógica "Agência do Negócio" com a organização. Em outras palavras, nessa breve descrição sumarizada, é preciso reconhecer que o exercício com eficiência do seu papel, como Agência do Negócio, depende das condições necessárias (grupos de trabalho funcionando em mente coletiva) e condições suficientes (reflexão profunda sobre os problemas da organização guiada pelo Pensamento Sistêmico), o mais rapidamente possível, se materializem também em Gerência de Projeto.

Jaqueline Sosinho é CEO da Confluência - Evolução Organizacional.

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