Alegrias e frustrações de um assessor de imprensa

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Trabalhar como assessor de imprensa mantém acesa a chama do entusiasmo. Todas as manhã acordo às 5h, tomo banho, cevo um chimas no capricho e desço para pegar os exemplares "em papel" do Correio do Povo, Jornal do Comércio e Zero Hora. Quando a véspera foi de muito trabalho para "vender" relises e informações para colunistas é um momento de ansiedade que me remete ao tempo de "foca" no jornal O Alto Taquari, da minha Arroio do Meio.

Com os jornais debaixo do braço subo os três andares e me acomodo no sofá da sala. Na mesa, além de cuia e térmica, jazem caneta e bloco de apontamentos. A leitura diária - inclusive de editais e do obituário - inspira artigos e ideias. As folhas lidas são "poluídas" por marcações, setas e destaques da Bic. Estas ilustrações, é bom explicar, também servem para chamar a atenção do sogro que mora comigo. Seu Pedro Nunes, no alto de seus 89 anos, lê todos os jornais e passa o dia ouvindo rádio e vendo a vários canais de jornalismo. À noite, compartilha comigo suas análises.

Apesar das rasteiras da vida de assessor não perco o otimismo ao vasculhar os jornais. Acredito que em algum lugar haverá um conteúdo do meu assessorado. Isso nem sempre se confirma, mas confesso que ultimamente tenho tido muita sorte. Mas quando a expectativa resta frustrada é preciso recomeçar, investir em novos conteúdos, inventar ou mudar a embalagem.

Quando a sorte sorri não vejo a hora de chegar no trabalho para compartilhar o êxito com os colegas que ralaram comigo. Apesar da euforia é fundamental lembrar - como sempre digo - que a notícia publicada no dia já está velha. O jogo recomeça em zero a zero. É preciso voltar à semeadura, irrigar e torcer para colher ali adiante.

Conheço vários colegas que se abatem com a falta de divulgação de seus relises. Às vezes, é bem verdade, o assessorado "é um produto ruim de vender". Noutras ocasiões, reconheçamos, o assessor não sabe compatibilizar a notícia à coluna ou ao editor adequado. Quando isto acontece, além da frustração, fica uma sensação de desperdício. Afinal, muitas notícias têm prazo de validade curto e são inúteis no dia seguinte.

Trabalhar com o insucesso obriga ao desenvolvimento da capacidade de recomeçar. Jornalistas "cascudos" sabem que, como nas raras férias de Verão, não haverá somente dias de sol. E nem só de chuva. Conviver com o insucesso é cansativo, desanimador por vezes, mas é fundamental continuar de pé e ser teimoso, outra característica que cultivo com rigor.

Não costumo esmurrar a mesa ao terminar de folhear o último jornal do dia sem uma notícia da minha lavra. Afinal, o chimas pode virar e a lambança seria grande. Mas confesso que cada publicação penso em gritar, mas dou um soco no ar para comemorar. Afinal, sou jornalista, mas não louco a ponto de acordar minha mulher - também jornalista - às 6h e pouco da madrugada?

Gilberto Jasper é jornalista.

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