Comunicadores da percepção

Por Felipe Ramires, para Coletiva.net

Há não muito tempo, ouve-se, com grande ênfase, pelos comunicadores desse brasilzão afora: o Facebook está morrendo! Como pode? Com base em que informação? De onde, diabos, veio essa profecia?

É aceitável que nós, nascidos entre 74 e 84, arrisco até 90, não tenhamos mais todo aquele interesse na plataforma de Mark Zuckerberg como tínhamos há seis anos. É normal buscarmos novas opções, principalmente quando a rede social é invadida por marcas, algum conteúdo relevante e muito material feito "nas coxas". Temos sede de coisa boa!

Falamos sobre isso naturalmente em conversas de bar, quando mencionamos mais o Instagram do que Facebook; quando postamos a foto dos amigos na rede de fotos, mas salvamos a opção de replicar na mais antiga - afinal, a rede ainda está lá e, de alguma forma, precisa ser alimentada; quando a usamos para lembrar dos aniversários daquelas pessoas de quem gostamos; quando tem um evento acontecendo próximo; quando precisamos expressar nossa opinião política; quando percebemos que ainda tem coisa boa lá. Não importa, o tio Zuck tem tudo concatenado e só vai matar a plataforma quando descobrir uma maneira de te ter pertinho dele, no Fb 4.0.

Mesmo que acesse menos vezes durante um mês, você está lá, é uma parte da sua história. É onde fala com um bando de amigos na mesma publicaçãoo, aquela em que postou algo. É o local onde ainda encontra as pessoas mais "das antigas".

Se tudo o que eu escrevi ainda não te convenceu, contra dados - digo, fatos! - não há argumentos. Duas das principais plataformas de monitoramento de tráfego na internet, Similarweb e SEMrush, apontaram que o Facebook está entre as quatro plataformas/websites mais visitadas no Brasil, em outubro de 2019. Se isso não é um indicador de estar vivo, não sei o que é.

Embora tenhamos que concordar que o Facebook já esteve em primeiro, em algum momento da sua história, a morte ainda está longe de acontecer. Mesmo com vazamentos de dados fora do nosso País e tudo o que cerca essa questão, o brasileiro ainda está ativo e bebendo dessa água.

Felipe Ramires é formado em Marketing, professor do Senac e consultor de Marketing Digital.

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