Dinossauro e tecnológicos

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Multimídia e unissalário. Esta é a definição realista dos profissionais de comunicação. Em minha casa tenho exemplos que servem de comparação que confirmam esta premissa.

Sou um legítimo representante da denominada casta dos "dinossauros da mídia". Isto porque sou exclusivamente voltado à produção de conteúdo. Textos de quatro linhas ou artigos de três mil caracteres são minha especialidade. Mas não me peçam para organizar um card, montar uma postagem ou produzir fotos e vídeos. Sou analógico.

Meu filho, Henrique, 23 anos, recém-formado em Jornalismo pela Famecos, é do tipo "modernoso", um faz-tudo. Recentemente trabalhou em uma exitosa campanha a deputado estadual, desafio onde produziu textos, criou cards, editou inúmeros vídeos e divulgou conteúdos em forma de relises.

São experiências diferentes com o mesmo objetivo: comunicar. A convivência entre as duas personalidades de comunicação gera resultados altamente produtivos. Falo com a experiência de quem convive há pelos menos quatro anos com jovens talentos, dotados de incrível conhecimento tecnológico e tolerância.

A simbiose da juventude com a experiência fortalece a convivência e estimula a troca de expertise. Ao longo do dia humildemente "peço ajuda dos universitários" para resolver que, para eles, são frugais. Na via de mão dupla eles também "pedem socorro ao véio" para escrever uma frase, um "tuíte" ou um minúsculo texto transformado em post.

Ambos - tecnológicos e antigos - tão diferentes na rotina são, no entanto, vítimas do mesmo drama: a exploração. Para nós, ultrapassados no manuseio das redes sociais, o mercado é cada vez mais restrito. Já jovens, obcecados pela sintonia diuturna com o que há de mais moderno, sem horário ou folgas.

Este conjunto de exigências, no entanto, não tem reconhecimento em forma de contrapartida de uma remuneração digna e à altura da responsabilidade. O aviltamento revolta, desanima, envergonha, mas não oferece opções.

Veteranos ou aficionados da tecnologia são diferentes entre si, mas iguais na desvalorização que sofrem há décadas e que caracteriza a nossa profissão. Temos parcela de culpa, certamente por nossa desunião. Por isso é preciso promover uma profunda reflexão sobre o tema.

Gilberto Jasper é jornalista.

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