OOH: Um meio em transformação

Por Ricardo Piccoli, para Coletiva.net

Inovação: uma das palavras mais badaladas do nosso século, reflete um conceito fácil de se compreender, mas nem tanto de se implantar. Então, porque toda essa dificuldade de se colocar em prática um conceito que todos entendem, reconhecem e desejam?

Para fomentar a inovação contínua em uma organização é preciso trabalhar alguns pilares básicos. O primeiro pilar é formado por pessoas. Diariamente, precisamos incentivar o nosso time a pensar diferente, não basta fazer melhor, tem que fazer diferente. Assim, montar um time multidisciplinar, no qual pessoas com visões e experiências diferentes tendem a contribuir de forma mais efetiva no processo de inovação. É fundamental para a oxigenação da companhia e o surgimento de novas ideias.

O segundo pilar é o ecossistema, trabalhar dentro de um parque tecnológico, coworking ou até mesmo em condomínios empresarias onde se tenha empresas de diferentes setores dividindo o mesmo espaço físico, ajuda a troca de ideias, experiências e assim a fomentar a inovação. A interação do time da empresa com o meio acadêmico como alunos, professores, mestres e doutores de forma sistemática e profunda, também ajuda no processo de pensar fora da caixa, pois é importante ter pessoas brilhantes dispostas a nos ajudar e contribuir com visões diferente para a solução de problemas do cotidiano.

O terceiro pilar é a postura organizacional, as empresas têm que incentivar e permitir que as pessoas inovem. Não basta ter o discurso, mas é preciso colocar em prática ações que motivem e reconheçam a inovação. A única coisa certa no processo de inovação é que se vai errar e não se pode ter uma política que penalize os erros, bem pelo contrário, tem que motivar as pessoas a errarem e aprenderem com os seus erros, isso faz parte do processo de inovação. Essa atitude tem que começar pelo alto escalão da companhia, com o seu presidente, seus diretores, logo todos, sem exceção, tem que serem motivados a inovar, não pode existir o medo e nem a resistência à mudança.

O quarto pilar é estar aberto a buscar e conhecer novidades. As empresas têm que receber a todos, sem discriminação, estar dispostas a escutarem novas ideias. Ao mesmo tempo, buscar novidades, participar de congressos, feiras, palestras, visitas, viagens, pesquisas e aproveitar qualquer oportunidade para aprender e conhecer.

Com esse espírito inovador, o mundo OOH está em um momento revolucionário da sua história, com a disseminação das telas digitais, com a chegada de novas tecnologias imersivas que permitem uma interação cada vez maior entre o público e os equipamentos de mídia externa, com a integração entre o mundo on e off e com a chegada das métricas em tempo real, esse meio torna-se cada dia que passa mais relevante para a comunicação.

As marcas estão demandando coisas diferentes, exclusivas, querem fornecer experiência aos seus clientes e precisam medir resultados. Sem inovação, nada disso é possível.

A forma de se fazer mídia externa está mudando e as empresas que não apostarem nessas novas tecnologias ficarão obsoletas e não estamos falando de um futuro tão distante.

As empresas de OOH que ainda estão preocupadas apenas com a localização dos seus ativos ou em simplesmente trocar os seus painéis estáticos por digitais estão morrendo e ainda não sabem.

Pelo mundo temos visto muitos cases extraordinários de ações com o uso de tecnologias imersivas em OOH, mas o custo ainda é elevado. Geralmente as ações são pontuais em um endereço, ainda não se conseguiu massificar o uso desse tipo de tecnologia para se trabalhar em vários pontos simultaneamente, pois o custo final inviabiliza a campanha de forma massiva. Uma das principais barreiras é a redução do custo dos projetos.

A tecnologia imersiva que mais se destacará a curto prazo será a AR (Realidade Aumentada), pois a própria evolução dessa tecnologia já permite rodar a plataforma diretamente em um navegador web sem a necessidade de se instalar um APP. A própria massificação dos smartphones que permitem o uso desse tipo de tecnologia de forma nativa no equipamento, tornam o ambiente mais propício para a sua propagação e uso.

Outras tecnologias como VR (Realidade Virtual) e AI (Inteligência Artificial) ainda necessitam de algumas evoluções de hardwares mais adequados e baratos para se conseguir usar de forma massiva. Mas já sabemos que as tecnologias imersivas permitirão ao OOH, cada vez mais, criar experiências e conexões únicas entre as marcas e seus consumidores.

As estatísticas em tempo real, que até pouco tempo eram exclusividade do mundo digital, hoje também, já são realidade no mundo OOH. Já é possível obter dados em real time como: número total de impactos ou pessoas que passam, com média semanal, média diária, média por hora, CPM, frequência, além de se conseguir quantificar o aumento do fluxo de pessoas de uma loja durante uma campanha de OOH. Além de identificar o bairro de origem ou de destino de cada cliente que entrou e saiu da loja, as principais vias de acesso utilizadas pelos clientes para irem até a loja, bem como criar o mapa de calor com a movimentação, por toda a cidade, de todos os clientes que entraram na loja em determinado período.

Além de todos esses benefícios elencados, as métricas ainda permitem que as agências façam testes A/B com as peças publicitárias de forma muito parecida que elas já fazem hoje no mundo do digital. Com as telas LED's pode-se iniciar uma campanha com um determinado material e mudar o material de acordo com as métricas de conversão de volume de pessoas nas lojas. Assim é possível entender melhor quais são os reais estímulos que motivam os clientes a responder a uma campanha de OOH.

Sim o mundo mudou!

Ricardo Piccoli é COO da Sinergy Novas Mídias.

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