Produção publicitária gaúcha II

Por Enio Lindenbaum, para Coletiva.net

A produção audiovisual, para a publicidade ou não, é , por assim dizer, um exercício de enganação. Como se busca informar com emoção - geralmente limitados pelo espaço e com roteiro pré-aprovado, apela-se para recursos que são truques ou aspectos e situações inverossímeis. Até aqui, nenhuma novidade.

Hoje, com a disseminação da computação gráfica e seu barateamento, alguns desses resultados são mais fáceis de serem obtidos.

Surge, então, no cinema, um destes truques: a colocação de um item colorido em meio a um "cenário" preto e branco.

A produtora do equipamento fez um acordo com a Casablanca, de São Paulo, que fez um acordo com a Sabiá e, permitindo a esta ser a pioneira no cenário mundial, a utilizar a nova tecnologia em produção publicitária.

Com isto, a então poderosa MPM criou para a Tintas Renner três roteiros que utilizavam este recurso: dentro de toda imagem em P&B, um elemento era destacado por computação. Ainda modelado frame a frame, era uma operação demorada mas com resultados surpreendentemente bons, principalmente pela emoção despertada.

Entramos no portfólio de apresentação do equipamento no mercado mundial. O Rio Grande do Sul criou profissionais bem criativos nesta área mas nenhum, no meu entender, à altura do paulista Domingos Utimura. Profissionais como Caçapava, os McGiver, Gerson Alemão e outros realizavam produções com baixo orçamento e grandes soluções. Ao mesmo tempo, a mescla com diretores do eixo Rio/SP proporcionavam um up grade nos profissional da área técnica.

A disponibilidade de equipamentos da RBS ficou mais em conta quando Roberto Andrade abriu a PRISMA, com efetiva oferta de mais possibilidades. Esse incremento, essa mescla de diretores mais vividos, abriu novos mercados e novas fontes de renda que incrementaram a formação de uma efetiva cadeia produtiva.

Não houve, infelizmente, um incremento da força política empresarial, o que fragilizava a luta por direitos como os autorais, o reconhecimento e a valorização deste esforço feito pela Sete de Produção, Pró Vídeo e tantas outras que, diretamente, também ajudaram a formar a classe cinematográfica gaúcha com o talento hoje reconhecido.

Toda uma geração de cineastas tinha o seu "ganha-pão" e seu aprimoramento desenvolvido no mercado publicitário gaúcho de audiovisuais. Essa troca, que beneficiou e ainda beneficia o fortalecimento da cadeia produtiva, para cá trazia com regularidade Paulo José, Mario Marcio Bandarra, Arnaldo Jabor e tantos outros.

Uma característica pessoal do Paulo José: solucionar problemas. Quando conseguia, era perguntado: "Mas como você sabe disto? Resposta: "Fui 10 anos motorista de táxi em Bagé". Assim, Enxuta, Strassburger, Tintas Renner e tantas outras marcas ganharam uma melhor imagem nacional por meio de uma comunicação e produção mais modernas.

No mesmo período, a produção gaúcha fincou um pé em São Paulo e trouxe para serem aqui produzidos grandes clientes como Shopping Morumbi, Lãs Pingouim, Tok & Stock, além de outros. Para nossa alegria, Enxuta ganha o Profissionais do Ano da Rede Globo e começamos a ser efetivamente "comprados".

Abrindo uma frente organizada para atender a comunicação empresarial e outra para atender a demanda política, que, no Brasil, passou a ter uma importância fundamental. Coordenamos mais de 26 campanhas majoritárias. Tínhamos cotações que nos permitiam em algumas eleições escolher a quem atender (e, como muitos, fizemos más escolhas).

Isto tudo somado nos fazia grandes geradores de trabalho. Com a mais valia, claro, (olha, Marino Boeira), já estabelecida como regra de mercado, e também na publicidade. O mercado audiovisual se ampliou, permitindo que crescessemos atuando em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Recife.

Uma bela história, eu acho..?

Enio Lindendaum é publicitário.

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