Que jornalismo é…

Por José Antonio Vieira da Cunha O cidadão Arnaldo Oliveira acusou neste espaço uma excessiva parcialidade do atual jornalismo apresentado pela TVE do Rio …

Por José Antonio Vieira da Cunha
O cidadão Arnaldo Oliveira acusou neste espaço uma excessiva parcialidade do atual jornalismo apresentado pela TVE do Rio Grande do Sul. A jornalista Tânia Machado imediatamente escreveu artigo para rebater o anterior, cujo título era "Que jornalismo é este?".
Não conheço as duas pessoas citadas (aliás, a jornalista Tânia, vim a saber depois, é esposa do jornalista Félix Valente, coordenador de Publicidade do Governo do Estado) e vou respeitar suas opiniões. Não posso, no entanto, deixar passar em branco uma afirmação da senhora Tânia, segundo quem as pessoas ali "trabalham duro para reconstruir uma emissora pública devastada pelo descaso de administrações anteriores".
Duvido que o presidente Garcez subscreva uma afirmação assim irresponsável, mas como foi feita pela coordenadora de jornalismo da TVE, que aparentemente chegou ontem ali, não posso calar. A TVE tem vários problemas estruturais que se arrastam há anos, alguns deles desde a origem nos anos 60, mas acusar "devastação" por parte do que classifica genericamente de "administrações anteriores" atinge a administração que durante quatro anos, de 1995 a 1998, tive a honra de liderar.
Pois, se agora a TVE "adquire equipamentos e realiza concurso público", como diz logo em seguida dona Tânia, é bom registrar-se que estas são duas de tantas conquistas tornadas possíveis graças ao trabalho desenvolvido anteriormente. Trabalhamos para implantar um processo de modernização da emissora que, como seu site oficial registra, foi a primeira no país (em janeiro de 1998) a utilizar a tecnologia digital em banda KU, através do satélite Intelsat.
Houve vários esforços exatamente dirigidos para resguardar o patrimônio e garantir novos avanços. Entre eles, o marco que o site oficial também registra: em março de 98, a emissora teve seu estúdio totalmente remodelado, recebendo modernos equipamentos de iluminação e sonorização.
A atual administração recebeu pronto para execução todo o projeto técnico para reequipamento da central técnica e de retransmissoras no interior, com recursos identificados e apontados em orçamento para imediata execução.
Por fim, e para não cansar, vamos lembrar outra grande obra da administração anterior, que não pode ser medida em valores, mas é do maior significado para a Fundação TVE. Trata-se do Conselho Deliberativo, um organismo essencialmente democrático, formado por representantes do governo e da sociedade e com atribuições de zelar para que a TVE e a Rádio FM Cultura sejam efetivamente emissoras públicas, e não do Estado. Criado em 1995, tem prestado belas contribuições ao desempenho das duas emissoras. Infelizmente seus atos têm sido pouco divulgados, e no site da Fundação a última ata publicada registrando reunião do Conselho é de março de 1999, há quase três anos, portanto.
Mesmo assim, foi conhecido há pouco um documento de análise do Conselho sobre a programação da TVE. Ali sim tem um prato cheio para dona Tânia preocupar-se com o que faz, em vez de atirar pedra sobre o que outros fizeram. A média de 2,7 obtida pelo Jornal da TVE está entre as piores nesta análise de todos os programas locais. Não sei se o Conselho chegou a avaliar questões como a parcialidade apresentada pelo sr. Arnaldo, mas certamente o assunto será debatido naquele forum, como não passou em branco aquela afirmação de Lula, lembram?, quando ele criticou "o mau uso" que os governos petistas fazem das TVEs nos Estados e recomendou que as emissoras controladas por governos do PT produzissem programas de debates com a participação de petistas.
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