Remédio ou Veneno

Por Jaqueline Sosinho, para Coletiva.net

Dizem que a diferença de remédio e veneno está na dose. Mas penso que pode estar, também, no uso inadequado.

Se estamos doentes e usamos medicamentos para aliviar os sintomas, não conseguiremos perceber a evolução da doença. Estamos evitando enxergar a causa. Isso pode ocorrer em vários níveis de incosciência. Dá muito trabalho e até gera dor a descoberta da doença, pois as ações não poderão mais ser paliativas. Será preciso ações mais extremas e profundas. Uso esta fala como analogia para o assunto que conheço mais: Gestão e empreendedorismo. Pois vejo este comportamento não raro com tanta frequência que posso dizer que é um padrão.

Divido a gestão estratégica em duas dimensões: o ficar vivo hoje e o continuar vivo no futuro. Esta tarefa requer ações diferentes. Podemos chamar de "O urgente" e "O importante", simultaneamente. Tem como fazer as duas coisas? Sim. Não é nada fácil. Por isso que é preciso pedir ajuda. Assim como fazemos quando estamos doentes. Não temos condições de resolver tudo sozinhos. Ninguém tem todas as competências necessárias para uma missão tão complexa. Pedir ajuda pode ser um ato de coragem. É admitir que nem tudo está em nossas mãos.

Não precisamos saber tudo. Às vezes, só precisamos saber quem sabe.

As necessidades do negócio estão acima das necessidades dos indivíduos. Pois têm muita gente dependendo dele.

Dizem que nós, empresários, temos mais medo do fim do mês do que do fim do mundo. Faz sentido. Porém, lutar só pela sobrevivência é muito primitivo. Precisamos ver a vida por outro ângulo. Ampliar a visão. Olhar de cima, também.

Contudo é preciso garantir a perenidade desta instituição. Como fazer isso? Enfrentando as causas e tratando as, garantindo o futuro.

O trabalho do CEO é solitário. Mas não precisa ser assim. É muita responsabilidade. Dá para dividir com a equipe. Precisamos despertar o propósito do indivíduo, da tribo e da empresa. Identificar e eliminar bloqueios. Encontrar o que está impedindo o crescimento e seguir o fluxo. E enxergar os pontos de alavacagem. Tudo isso usando os recursos internos. As pessoas que entendem deste negócio e as tecnologias  já adquiridas. Não é inventar a roda e se transformar totalmente. É ir mudando, evoluindo. Entendendo primeiro o que queremos onde queremos chegar e depois vamos decidindo o como.

O que não dá certo é fazer todos os dias a mesma coisa esperando resultados diferentes. Isso não resolverá nosso problema raiz. Ao contrário, o que evolui é a doença. Grandes doses de remédio viram veneno. Precisamos quebrar a inércia, transpor o medo. O empreendedor já é um vencedor, um vitorioso. Chegou até aqui, com certeza conseguirá ir muito mais longe. Só precisa lembrar que não está sozinho, nem no problema e nem na solução.

Jaqueline Sosinho é diretora Comercial na empresa Confluência.

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