Ser comunicador ainda é sexy?

Por Tatiele Prudêncio

Depois de mais 15 anos imersa no universo da comunicação, passei a ter um bom número de amigos também da área, como não poderia deixar de ser. Alguns grupos se reúnem com frequência, outros nem tanto, mas em todos eles uma pauta surge 100% das vezes: e aí, vamos largar tudo e vender água de coco na beira da praia? Artesanato, pulseira de miçanga? Em outras palavras... Todos pensam, ou já pensaram em algum momento, em largar a profissão.

Meu marido, publicitário de formação, excelente profissional, diga-se de passagem, trabalhou em agências foda, com o perdão do francês. Mas a experiência foi tão, digamos, "intensa", que largou tudo e acabou caindo nas graças do Marketing. Depois de um tempo, foi seduzido pelo fantástico mundo do "digital analytics". Hoje, está bem feliz, obrigado. Uma conhecida deixou a vaga promissora de âncora de um programa de rádio e foi trabalhar em um quiosque na orla carioca. Seu bronzeado e semblante sereno denotam que a escolha não foi de todo ruim. Esses são dois exemplos próximos a mim. Se você é comunicador, deve ter lembrado de outros tantos neste momento.

Mas, afinal, o que faz com que a profissão dos sonhos perca seu encanto? Seria por conta de culturas organizacionais desmotivadoras? Líderes despreparados? Pela descrença da sociedade em nossas entregas frente a questões ideológicas? Seria pelo esvaziamento das empresas em tempos de crise, redução de orçamento? As razões são particulares e, ao mesmo tempo, diversas. Não tenho uma única resposta. O fato é: colegas, sempre que possível, escolham ser felizes!

Como diriam as comissárias de bordo, "você já sabe, mas não custa lembrar" que não é pecado mudar. Se, de fato, a melhor alternativa ao colocar tudo na balança for partir para novos rumos, sempre é tempo! É melhor ser uma pessoa sadia e vender picolé de frutas com prazer, que se sentir em uma verdadeira prisão psicológica. Por outro lado, se assim como eu, você acredita que ainda há, sim, certo sex appeal nessa jornada, "vamo time"!

Cabe a nós tornarmos nosso universo o mais atraente possível para nós mesmos. Assim, estaremos também contagiando quem está à nossa volta, sejam colegas, clientes internos, externos, chefes ou subordinados. A forma como encaramos nossa jornada nos leva onde quisermos, depende dos nossos objetivos, do esforço e da energia despendidos. Cansado da rotina? Que tal buscar formas diferentes de fazer o que sempre fez? Não tem um líder inspirador? Quem sabe referências do mercado possam ajudar?! E, claro, trocar ideias com colegas de profissão e de áreas afins é sempre uma boa pedida! Por fim, um pouco de ousadia também vai bem. Como Malcolm Gladwell cita em 'Outliers: The Story of Success', "se você trabalhar duro o suficiente, se autoafirmar e usar sua mente e imaginação, pode moldar o mundo aos seus desejos".

O fato é que vivemos a era das conexões, das infinitas possibilidades. Nunca tivemos tantos recursos, tantas plataformas, tantas formas de nos comunicar, e muita coisa ainda está por vir. É isso que me motiva: o quanto ainda temos a descobrir e explorar. Inclusive em universos paralelos ao nosso. Assessores de imprensa bem relacionados, repórteres ligados, publicitários criativos e RPs carismáticos vão ficar para trás se não desbravarem o universo da inovação, da ciência de dados, do SEO, do analytics e por aí vai. Vale "dar aquela espiadinha por cima do muro" e ver o que essa história toda de tecnologia e digital está fazendo com nossos trabalhos e, principalmente, com nossas vidas. Seja qual for a área, é preciso fazer os movimentos que o tempo exige. Então, bora dar uma apimenta na carreira!

Tatiele Prudêncio é jornalista.

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