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A ‘equação matemática’ da comunicação governamental atual

Por Ariane Xarão
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O período eleitoral no ano anterior já sinalizava alguns desafios à comunicação governamental para o ano em questão: trabalhar pela prática comprometida com o interesse público na formação de uma sociedade cidadã e democrática; e pelo encurtamento de distâncias com a ampliação da informação em prol do coletivo. O não cumprimento do estabelecido implicaria e implica na desaprovação do eleitorado, sob pena do acionamento de manifestações e movimentos de resistência nas ruas e na ambiência digital.

No mais, o cenário de crise econômica e política dos Estados brasileiros; o maior caso midiático de corrupção no país; e o panorama de descrença com o setor público, agravam o desafio de alinhar a comunicação dos governos e apresentam uma provocação aos gestores: ingressar na administração pública com poder de diálogo, processo básico da vida em sociedade. Para tal, há frentes que podem ser abraçadas na tentativa de alinhar poder público e cidadão, agentes de mudança no processo de transformação dos municípios gaúchos. Além de fazer política, gestão e melhorar a entrega dos serviços, que são compromisso do município, prestar contas, estimular o engajamento nas políticas adotadas, e gerar reconhecimento das ações promovidas, através da padronização da comunicação governamental, linguagem simples e senso de verdade, são fatores que ajudarão na percepção positiva da administração municipal.

Avaliando o fazer da prática na conjuntura atual, entende-se que a comunicação governamental deve operar aliando três variáveis que compõem o que se designou como ‘equação matemática’, são elas: pertencimento + serviços + coparticipação. A expressão foi instituída e as variáveis apresentadas numa relação aditiva por se acreditar que, no processo de comunicação, tais presenças integram eficiência e eficácia.

O pertencimento, enquanto crença subjetiva, é o ponto de partida para que o cidadão se reconheça como parte integrante do espaço social em que vive e, consequentemente, desenvolva motivação para querer o melhor para si e para o outro, ambos circunscritos na mesma relação de coletividade. Os serviços, são a base da informação que o cidadão deve receber para identificar onde recorrer para ter acesso à saúde, educação, segurança e outros eixos de atenção que são de responsabilidade pública. E a coparticipação é o elemento dialógico entre os interlocutores de um processo de comunicação. É o momento em que a administração pública convoca o cidadão para colaborar com o grande projeto que está nas mãos do poder executivo, afinal, toda relação social implica em direitos e deveres; e grande parte do êxito do projeto da administração pública está na participação do cidadão, que cumpre suas obrigações ao pagar impostos, preservar o bem público, entre outras questões.

Como cada governo supõe uma comunicação com um posicionamento político diferenciado, é natural que cada um deles construa a sua ‘equação matemática’. Porém, compreende-se que a equação apresentada, é grande aliada na edificação de uma comunicação pública séria e alinhada com a expectativa e realidade do cidadão.

Ariane Xarão é publicitária e pesquisadora. Atua como executiva de Contas na agência Moove e é mestre em Comunicação Midiática, Mídias e Estratégias Comunicacionais.

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