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O sonho que eu não sonhei

Por Márcia Christofoli, para Coletiva.net
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Lembro bem do dia em que decidi que faria vestibular para Jornalismo, no auge da minha maturidade profissional: 14 anos de idade. Conversando com meu pai, no estacionamento de uma universidade, falava da vontade de cursar Direito, mas algo me inquietava e eu queria ter “uma segunda opção”. Foi quando surgiu: “E quem sabe Jornalismo?”. A pergunta acendeu uma luz e, a partir daquele dia, quando questionada sobre “o que eu queria ser quando crescesse”, era natural responder: advogada e jornalista.

É verdade, como demonstrei acima, sempre quis ser jornalista, mas é preciso admitir que nem sempre dei ao desejo a certeza absoluta que trilharia este caminho. Tanto é verdade, que cheguei a frequentar a faculdade de Direito e até trabalhei na área jurídica mais de uma vez, mas não teve jeito, meu juramento na colação de grau foi mais ou menos este:

“Juro exercer a função de jornalista, assumindo o compromisso com a verdade e a informação. Atuarei dentro dos princípios universais de justiça e democracia, garantindo principalmente o direito do cidadão à informação. Buscarei o aprimoramento das relações humanas e sociais, através da crítica e análise da sociedade, visando um futuro mais digno e mais justo para todos os cidadãos brasileiros. Assim eu juro.”

E por conta dessas frases fui assistente de redação (vulgo, estagiária), repórter, editora, planejamento, coordenadora, assessora de imprensa, analista de Comunicação, social media, redatora, revisora e, por muitas e muitas vezes, consultora dos amigos (e, mais tarde, dos clientes também).

Tem mais de 10 anos desde que comecei a viver esse mundo jornalístico mais intensamente, e nessa primeira e recente década pude ter desejos, oportunidades, frustrações, fracassos, dúvidas, revoltas. O que eu não tive foi noção do que significaria virar empresária. Assumir o Coletiva.net é por mim intitulado como “a realização de um sonho que eu nunca sonhei”. Porque não tinha ambição? Definitivamente, ESTA eu não tinha. Mas também porque ter o meu negócio não estava nos meus planos tão recentes. A oportunidade veio, a confiança dos fundadores também.

Junto disso veio o medo, a insegurança, a limitação, a necessidade de pedir ajuda, entre outros percalços. Por outro lado, veio o aprendizado. Nossa! Esse valeu (e ainda vale) cada minuto do que estou vivendo. Aprendi que posso, sim, liderar um negócio que conheço tanto; que consigo ter vida pessoal, pois posso contar com amigos e profissionais ao meu lado. Aprendi também que, pasmem, o administrativo/financeiro/contábil/jurídico nem é tão difícil assim – e eu até percebi que sei fazer conta!

Não tenho a pretensão de dizer o que é ser empresária, pois esse título surgiu na minha vida há bem pouco tempo. O que posso garantir é que nós, jornalistas, não somos ensinados, estimulados ou mesmo treinados para isso. Somos, e muito, incentivados nos bancos acadêmicos a trabalhar com a informação de forma ética e sensata. E sobre isso posso fazer mais uma afirmação: não importa o título, o cargo, a atividade, a remuneração (essa, então, importa menos ainda para quem, como eu, escolheu essa profissão), o que vale é a paixão que empregamos nela.

Empresária, sim, mas acima de tudo JORNALISTA, e com orgulho.

Márcia Christofoli é jornalista e publisher do portal Coletiva.net.

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