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Ao povo o que é do povo

Por Ariane Xarão, para Coletiva.net
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Posicionamentos político-religiosos à parte, este texto propõe-se a uma reflexão sobre gestão e comunicação governamental. Contudo, o título do artigo faz analogia a um momento histórico ocorrido na Roma antiga, em decorrência da resistência ao pagamento de impostos. Tal situação, culminou na máxima ‘a César o que é de César’, frase amplamente citada e atribuída a Jesus nos evangelhos sinóticos, para responder sobre a submissão dos cristãos às autoridades terrenas.

Independentemente de análise sobre a racionalidade das circunstâncias no contexto romano, essa máxima presta-se ao raciocínio de que ‘as coisas devem ser atribuídas a quem lhe são donas por direito’. E se cabe ao Estado prestar serviços de qualidade ao cidadão, é direito do cidadão reconhecer e usufruir dessa estrutura, sobretudo pelo fato de o funcionamento da máquina pública estar amplamente relacionado com o pagamento de impostos. O cidadão subsidia a estrutura estatal e os serviços por ela prestados, então, ele deve ser constantemente informado sobre a oferta do que está à sua disposição por direito.

Por algum tempo os governos acreditaram que grandes projetos estavam vinculados ao sucesso de uma gestão, negligenciando o bom funcionamento de serviços básicos e necessários para manter a base da estrutura social. Ocorre que com o empoderamento dos sujeitos, os governos passaram a perceber que o cidadão tem reivindicado, cada vez mais, qualidade em educação, saúde, segurança, infraestrutura, e outros serviços que são compromisso do Estado em seus âmbitos, municipal, estadual e federal. Tudo que é básico se tornou crucial para manter a base social, política, humana, e isso tem repercutido na maneira como os governos têm feito gestão e, consequentemente, comunicado suas ações de gestão.

Os serviços básicos estão na centralidade da discussão. E é em resposta a essa demanda que, por exemplo, o prefeito de São Paulo ampliou a mobilização de agentes da assistência social para atender moradores de rua nas noites de inverno. O número de profissionais envolvidos passou de 79 para 717 na última sexta-feira, dia 21 de julho de 2017, segundo o jornal O Estadão. Ou que o governo do estado do Rio Grande do Sul, desde o ano de 2016, tem organizado operações de ampliação e reforço à segurança em Porto Alegre. As fases da operação recebem, regularmente, complementação no quadro de policiais, e aparelhagem em estrutura: frota e armamento. E a comunicação dessas ações? É reforçada diariamente através de conteúdo nas redes sociais, em programetes de rádio e televisão, na mídia espontânea e no face-to-face.

Os exemplos acima ratificam um direcionamento de gestão, baseado na necessidade de os governos se voltarem às questões primordiais, como a garantia ao acolhimento em situações de vulnerabilidade e a segurança. A constituição brasileira, composta pela dicotomia direitos e deveres, esclarece muito bem o que cabe a cada um e, se cabe ao cidadão uma série de responsabilidades, como manter a máquina pública através do pagamento de impostos, cabe ao mesmo cidadão a garantia de sua integridade e serviços básicos de qualidade. Por isso, ‘ao povo o que é do povo’.

Ariane Xarão é publicitária e pesquisadora, executiva de contas do núcleo Prefeituras na agência Moove e mestre em Comunicação Midiática, Mídias e Estratégias Comunicacionais.