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O povo é Deus

Por Ariane Xarão, para Coletiva.net
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Nunca foi tão difícil fazer comunicação pública, e essa assertiva está embasada em uma série de fatores, como: a fragilidade das instituições públicas e as crises correlatas: econômica e, consequentemente, social. Essa conjuntura muda, a todo instante, uma série de paradigmas das mais variadas ordens, fazendo com que o profissional de comunicação tenha, mais do que nunca, que se reinventar em um universo de incertezas. Ao mesmo tempo, o cidadão está empoderado, situação que dá voz aqueles que foram considerados por muito tempo uma massa oculta na conjuntura social. As redes sociais têm propiciado interação on e off-line, além de manifestações exponenciais. É possível compartilhar boatos, mas também, engajar usuários a pontos de vista variados, informar-se, cobrar e se relacionar com as instituições públicas.

O raciocínio acima presta-se à seguinte discussão: o lugar de fala do cidadão empoderado na ambiência digital e o papel da comunicação pública na reorganização da presença das instituições na vida dos cidadãos. Tal situação tem feito com que as instituições compreendam que o agente primordial em um processo de comunicação (gestão e política) é o povo. O poder atribuído ao povo fez com que ele migrasse da base da pirâmide social e assumisse o topo, afinal, um governo que não trabalha ‘pelo’ e ‘para’ o povo certamente está desalinhado com o interesse público, constituído, cada vez mais, pela participação ativa do todo, e não mais pelas decisões e interesses pautados e discutidos entre a classe política.

Na esfera comunicacional, desde muito tempo, atribui-se à mídia, o quarto poder do Estado democrático. Isso, pelo fato de ser detentora de três propriedades que denotam sua importância na tessitura social: onipresença, onipotência, onisciência – distinções conferidas a Deus, ser único em poder, presença e conhecimento. Conforme a linguística, o prefixo ‘oni’ significa ‘todo’. Então, onisciente: aquele que possui todo o conhecimento e ciência; onipresente: aquele que está presente em toda a parte; onipotente: aquele que pode todas as coisas. Porém, a analogia e reflexão que se propõe neste artigo leva em consideração o seguinte raciocínio: se o cidadão empoderado sai da condição de base e assume o topo da estrutura política, comunicacional e social, e se esse empoderamento faz com que ele detenha conhecimento, presença e poder, isso quer dizer que o quarto poder está, hoje, nas mãos do cidadão. Logo, o povo é Deus.

Ariane Xarão é publicitária e pesquisadora. É executiva de contas na agência Moove e mestre em Comunicação Midiática, Mídias e Estratégias Comunicacionais.