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Dicionário Aldebarã XV (28.7.2017)

Por Braulio Tavares
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(ilustração: Moebius)

A civilização humanóide de Aldebarã-5 possui uma complexa sociedade muito influenciada pelos colonizadores terrestres.  Seu vocabulário exprime as características da natureza de seu planeta, e o seu modo de observar os fenômenos da psicologia e da cultura.  Confiram os verbetes abaixo, recolhidos, meio ao acaso, do Pequeno Dicionário Interplanetário de Bolso.

“Birggyon”: a sensação de incômodo moral que se experimenta diante do pedido de ajuda de uma pessoa extremamente merecedora e necessitada, mas cujo pedido é materialmente impossível de se atender.

“Carnitone”: exercícios de alongamento, levantamento de pequenos pesos e movimentos repetitivos que permitem, aos idosos, cair sem se machucar, apanhar objetos embaixo dos móveis, etc.

“Sembra”: costume, nos debates políticos, de ficar de pé no recinto e dar as costas ao orador, quando não se concorda com o que ele diz.

“Garpanini”: superstição que consiste, em momentos de impasse, conflito, expectativa, etc., em juntar as iniciais dos nomes das pessoas num grupo qualquer, formar com elas uma palavra, e a partir desta um acrônimo significativo.

“Tamps”: redes de tecido elástico que de acordo com o peso da pessoa vão se distendendo e mudam de altura em relação ao chão, e de colorido.

“Peonols”: casacos recombinatórios, que podem ser adaptados para diferentes ocasiões sociais, com diferentes conjuntos de golas, bolsos, mangas, etc., presos por velcros.

“Ballonys”: quadros que vistos à distância exibem uma imagem, e vistos bem de pertinho mostram que esse conjunto de luzes e sombras é formado por um caligrama escrito em letras muito miudinhas, relativo à imagem.

“Oftet”: a situação do sujeito que acaba de assumir um emprego novo, obedecendo ordens e tomando decisões sem ter a menor idéia do que está fazendo.

“Ensfig”: o ato de abrir um peixe cozido e extrair-lhe, sem o uso de facas ou outros instrumentos, a espinha inteira de uma só vez, o que é considerado de bom augúrio e indica que um pedido, a ser feito na hora e em silêncio, será atendido.

“Lupcal”: o hábito, quase mania, de algumas pessoas que anotam com pontualidade e rigor todas as coisas que fazem: copos dágua que beberam, quilômetros que andaram, livros que leram.

“Gomuss”: sucos de fruta salgados, preparados com frutas excessivamente doces ao natural, que se dão de beber aos doentes com pressão baixa.

“Noguái”: nome dado às trilhas traçadas no chão do mato pelos pés dos caminhantes, para diferençar de “nogandid”, as estradas pavimentadas ou de terra por onde passam veículos.

“Tussanj”: pequenas canetas-tinteiro que usam tinta colorida vegetal e, ritualisticamente, só podem ser usadas para escrever determinados tipos de texto (cartas, orações, documentos oficiais, etc.).

“Carpambistan”: jogo de salão em que peças coloridas são distribuídas, emborcadas sobre uma mesa, e combinadas duas a duas, e depois descritas de forma metafórica pela pessoa que as escolheu; cabe aos demais adivinhar quais são as duas peças assim descritas.

Braulio Tavares é escritor, cientista e jornalista e tem o blog www.mundofantasmo.blogspot.com.