Aprenda lições de Marketing com Stranger Things

Por Fahen Carvalho

 

Não, este artigo não contém spoilers sobre a série.

Há alguns anos nós possuíamos as locadoras de fitas, lembra delas? Era genial, nós alugávamos e víamos o filme em casa, eu adorava. Me lembro de ir quando criança e ficar um tempão lendo os títulos dos filmes (exatamente como faço hoje quando abro a Netflix). Depois de uns dois, três ou quatro dias eu retornava na locadora e devolvia o filme alugado. O prazo geralmente tinha relação com o tempo de lançamento e procura pelo filme. Se a gente esquecesse? Pagava uma multa de acordo com os dias que ficou a mais.

Até que chegaram os DVD?s. Mais leves, práticos e uma revolução. Nem todo mundo possuía o aparelho para assistir, mas logo passou a se popularizar. As locadoras passaram a ter DVD?s e o esquema de multa seguia me perseguindo (malditos prazos).

E então, depois de internet, downloads, chegamos até a era streaming. Que momento! Acabaram as multas. Oba, mas não foi só isso o que mudou.

Tudo passou a ser muito mais rápido e prático, tudo o que um dia pensamos das fitas de vídeo.

Os filmes passaram a tomar conta da vida de muitas pessoas (inclusive da minha) e as séries também. O vício e a vontade de finalizar uma temporada antes de receber um spoiler, atinge milhares de pessoas que fazem suas maratonas e viram noites em busca de um desfecho que nem sempre está presente na temporada lançada. Vivemos um momento em que tudo o que faz parte da vida das pessoas acaba se tornando uma ótima oportunidade para alguma ação de Marketing (se não se tornou, poderia ter sido). Seja um filme, uma peça de teatro, um artista específico que esteja em alta e com as séries também não é diferente. As estratégias criativas começaram a usar esse amor (olha o sentimento envolvido) pelo serviço streaming para criar ações temáticas, gerando nos usuários uma identificação ainda maior com o enredo.

Stranger Things nos mostrou através de diversas ações de Marketing que é possível ser muito mais que uma série.

Não conhece a série? Está tudo bem.

Em 15 de julho de 2016 foi lançada na Netflix a primeira temporada de Stranger Things, com um enredo de ficção científica e terror (não tão terror, né?). A série foi um grande sucesso e teve muita repercussão por trazer a atmosfera dos anos 80 e gerar grande representatividade sobre a infância da galera que viveu este momento. Resumindo: muita gente amou e ficou na expectativa pela segunda temporada.

Enfim, chegou este momento e os episódios foram lançados, mas não estou aqui para falar sobre eles. Estou aqui para falar sobre como um produto audiovisual conseguiu ser destrinchado e se tornar tantas ações de Marketing em diversas empresas, mas principalmente na própria Netflix.

Vamos aprender a utilizar o timing e a assertividade nas ações de marketing?

1# Netflix e SBT

Foi uma ação da própria Netflix, mas deixou todo mundo surpreso. Como assim na televisão? No SBT? A Netflix comprou 1h30min da programação do canal para exibir o primeiro episódio da primeira temporada em 28 de outubro, sábado. Uma ação perfeita para levar a quem ainda não possui Netflix (sim, essas pessoas existem) e que passam suas madrugadas assistindo os canais abertos. Além disso, a marca mostra uma disrupção da ideia online X offline. Afinal, já vivemos em tempos nos quais está tudo junto e misturado, né? A chamada ficou sensacional, assista:

2# Bagulhos sinistros

Antes de rolar a ação do SBT, a Netflix lançou no próprio canal do Youtube um vídeo com a atriz María Antonieta de las Nieves, a Chiquinha. Tudo a ver com a ação do SBT, o vídeo levanta o mistério de Eleven não ser a única com poderes. Será?

3# Spotify sempre maravilhoso

Spotify é o tipo de empresa que não perde o timing para uma ação com seus usuários. Dessa vez, não foi diferente. Funcionava da seguinte forma: o usuário acessava através do aplicativo ou da versão web e ao entrar, encontraria uma versão mais escura, que remete ao clima da série, com teias de aranha, um ambiente bem propício para ser o mundo invertido. Alí, o usuário encontraria uma playlist com base nos hábitos adotados dentro da plataforma. Gerando uma experiência interativa, na qual você descobre quais dos personagens da série você é.

4# Mashable invertido

Como o assunto do momento era a nova temporada da série, o site Mashable (referência quando se trata de criatividade e tecnologia) entrou na onda. O site ficou de cabeça pra baixo, literalmente.

5# Casa Stranger Things

Quem passou por São Paulo entre 27, 28 e 29 de outubro teve a chance de conhecer a Stranger House. Uma iniciativa da Netflix para levar aos fãs a chance de vivenciar e conhecer por dentro uma casa com a temática da série.

#6 Bar temático

Nos EUA, a série inspirou um bar a levar a temática para a vida real e atrair mais pessoas dispostas a beber até encontrar o mundo invertido.

Mas afinal, o que podemos aprender com as ações desenvolvidas?

A Netflix poderia simplesmente lançar a segunda temporada. Sem ações. Sem gastos a mais. Seria sucesso? Sim, com certeza, mas ela optou por proporcionar experiências aos usuários do serviço. Os fãs da série puderam viver experiências diferentes e se divertirem enquanto permaneciam na expectativa pelos episódios.

As marcas podem explorar os seus serviços de uma maneira muito mais interativa com o usuário. Vender o serviço é apenas a consequência. Fazer parte da vida das pessoas já é uma realidade, o que nos falta é perceber e encontrar soluções criativas para fazer com que isso aconteça. Sem parecer o cara chatão e sim, um amigo que oferece uma oportunidade legal.

O que é marketing de experiência e por que devemos utilizá-lo?

Se formos parar para pensar, o que são experiências? São momentos que nos geram sensações. Por exemplo: esportes são ótimos exemplos quando desejamos ter essa noção. No esporte, nós trabalhamos diversos sentimentos: medo, vontade, adrenalina, expectativa.

Sendo assim, o marketing de experiência é uma maneira de utilizar a emoção dos clientes, gerar sentimentos nos usuários, para conquistar, engajar e fidelizar pessoas.

A ideia é que a experiência de compra seja totalmente camuflada pelas sensações geradas na experiência e que de alguma forma, a pessoa não perceba ou não tão claramente que isso se trata de uma Publicidade e sim, uma experiência marcante na vida dela.

Quais são as formas de perceber as experiências? Você pode identificar o marketing de experiência através dos sentidos, sentimentos, pensamento, ação e identificação. Utilizá-lo é uma ótima maneira de criar um relacionamento com o seu público, através dessas sensações e gerar uma vontade de consumir algo que te gera uma emoção. É consumir ao sentir. A verdade é que jamais conseguiremos fidelizar clientes se não proporcionarmos uma experiência positiva, seja ela qual for. Não estou falando necessariamente de comprar uma hora na TV aberta, mas de algo que gere um impacto em quem você deseja fidelizar.

A vida das pessoas está corrida demais, passamos 98% do tempo (de acordo com as estatísticas da minha vida, não é um dado real) olhando para a tela de um computador ou de um smartphone. Quando temos a chance de vivenciar uma experiência diferente, é o momento que nos tira do habitual. Vamos fazer isso pelas pessoas?

Pense em maneiras de levar sensações e sentimentos diferentes ao seu público. Faça com que a sua marca seja lembrada por ele, por conta de uma emoção gerada. Pode ser através de um vídeo, de uma imagem. A emoção pode estar a um clique do usuário. Faça com que o planejamento também pense no emocional dessas pessoas, porque essa vivência sem dúvidas será muito valiosa. A venda do produto é consequência disso.

Fahen Carvalho é jornalista, criadora de conteúdo digital e atua como community manager na Agência Global, de Porto Alegre.

Comentários