Dualidades da vida

Por Andréia Castiglia Fernandes, para Coletiva.net

Meu papel e de muitos dos meus colegas professores é o de facilitar novos conhecimentos. Pela neurociência sabemos que ninguém aprende nada se não houver emoção. Se o estímulo cerebral, neurológico, que permite ao ser humano ampliar suas capacidades mentais é através de um princípio nobre e energético como o da emoção, devemos todos repensar nos reais envolvimentos importantes de nossa vida.

Emoção é o estado que intensifica repercussões mentais e que altera e comove o ser humano. Ela está presente em qualquer situação que valha ser lembrada. A emoção está presente aqui e é válida para vocês pelo especial tempo determinado que concluem hoje, e ela é determinada para mim principalmente por poder direcionar estas palavras.

Ainda pensando sobre este cérebro, impossível não refletirmos sobre a dualidade existente nele. São dois hemisférios. Cada um com suas responsabilidades. O direito traz a capacidade de criar, produzir, inventar. É o lado da criatividade. Porém, não é responsabilidade somente de gênios, nem artistas, nem intelectuais. É qualidade inerente ao ser humano e inseparável de sua natureza. Faz com que utilizemos a intuição, com que tenhamos flexibilidade e que possamos resolver problemas. Já renascemos criativos.

Já o lado esquerdo do cérebro nos possibilita desenvolver o potencial racional e a percepção da realidade. Distribui tarefas para o posicionamento prático da vida e estabelece força equacionada no cotidiano. Sabemos que o sistema educacional prioriza o desenvolvimento do hemisfério esquerdo, mas destaco que para termos sucesso na vida precisamos atuar com equilíbrio pleno nestas duas potências.

A criatividade e a racionalidade parecem contraditórias. Dicotômicas. Mas a vida é contraditória. As contradições se somam em quantidades quando nos vemos diante de escolhas do hoje que, por vezes, nos convertem em meros contadores esquecendo que as equivalências podem ser contrárias, trazendo perdas irreparáveis.

É quando nos damos conta das somas de outros graus que podem nos capacitar e elevar enquanto, diferentemente dos excessos, nos trazem qualidade em forma de ação e evolução. Especiais são estes momentos que trazem a essência da reflexão.

Criatividade e racionalidade somadas permitem alcançar patamares inimagináveis. Não devemos destitui-las com graus de importância diferentes. Serão extremamente necessárias na construção profissional e pessoal de cada um. Serão consequência dos esforços dos quais seremos cobrados evidentemente no mundo ali fora.

A cada experiência profissional crescemos como cidadãos. Aplicamos ensinamentos e práticas que definem produtos, tendências, modas, desejos, consumos, mas, prioritariamente, definem a vida de muitas outras pessoas.

Seja no âmbito do capital humano das empresas que estaremos gerindo, no setor financeiro, na logística ou no marketing, seja qual for a dimensão que tivermos oportunidade, devemos fazer de forma digna e ética, pois assim fomos preparados nesta caminhada de formação, nos bancos escolares e no ensino superior.

Ética esta que tanto falta nas relações e que acaba por ruir estruturas que deveriam ser magnânimas para suprir qualitativamente nossas necessidades de cidadãos.

Sim, publicitários e administradores, como cidadãos, devemos reconstruir as instituições deste País. Isto será o melhor a administrar. Fazer-se valer mais e fazer da coletividade a ordem do dia. Profissionais, façam dos seus passos caminhos luminosos e progressivos para a sociedade brasileira. Façam de seus atos pontes que elevem as capacidades das comunidades. Façam de suas palavras forças erguidas de melhorias construtivas para serem espelhadas pelos que estiverem próximos.

Preponderem a responsabilidade que lhes cabe como seres humanos que podem, sim, influenciar e agir por um Brasil que é possível. Somente trabalhando assim é que poderemos no futuro compreender e valorizar o que é a palavra patriotismo.

Questões públicas em instâncias municipais, estaduais ou federais, tanto quanto nas organizações privadas, seja em micro, médias ou grandiosas empresas, por mais CNPJ que lidem nos seus cotidianos, lembrem-se sempre que, no final, o relevante mesmo são os CPF que estarão no seu entorno.

Para fechar esse raciocínio, convidei-os a passear por dentro do cérebro humano, de nossas dualidades e falei da importância das emoções e seus impactos sobre a vida. Depois, solicitei que transpusessem obstáculos para reconstruir o País com base na ética, devolvendo sólidas instituições à sociedade. Finalizando destaco: recordem-se do quanto a vida poderá ser contraditória. Observem o tanto de contradições que consistirá seu cotidiano profissional. Discernir entre o lado racional e emocional será um desafio árduo. Porém, mais árduo ainda será transcender fazendo uso da totalidade criadora e criativa que vocês já possuem. Somem suas essências. Isso fará toda a diferença!

Tenham sucesso e sejam muito felizes!

Andréia Castiglia Fernandes é coordenadora de Publicidade e Propaganda da Faculdade São Francisco de Assis.

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