Festival Path: escolhe o teu caminho e te joga

Por João Ramos, para Coletiva.net

Não existem certezas. Existem dúvidas que geram desconforto e movimento. Não existem verdades absolutas. Existem caminhos que apontam para diversos lugares. Alguns optam por acreditar que tudo é medido por dados. Algoritmos regem não só softwares e funcionalidades virtuais, mas também ordenam tudo o que há em nossa volta, inclusive a materialidade do mundo. Outras optam por acreditar em um propósito. A busca por significado é o que dá sentido, mas também é o que desconstrói tudo o que sabíamos, ou, pelo menos, tudo o que nos ensinaram.

Há espaço para todo mundo! Algumas ideias são facilmente compradas, outras causam espanto. Algumas propostas são baseadas em pesquisas, outras são intuições interpretativas do momento (e nem por isso estão erradas). Nelas, existem mais verdades do que conseguimos enxergar (pelo menos no momento).

Futuristas afirmam e embasam. Humanistas criam significado em torno de suas palavras. Cientistas criam parâmetros matemáticos que não deixam espaço para questionamentos. O fato é que alguns caminhos parecem bem palpáveis. Talvez um dos que mais me impressiona se baseia na ideia de que o futuro da comunicação será o áudio. Sim, telas se transformarão em caixas de som. Marcas se materializarão a partir de inteligências artificiais que se parecerão com conversas. A tecnologia mimetizará a interação humana. Talvez por isso idosos serão os novos early adopters (pioneiros). Por quê não? Por falar nisso, idade não se parece mais com o corpo. Se parece mais com a mente. Não há mais gavetas, apenas possibilidades e escolhas. Ah, as escolhas! Geram tanta ansiedade e a ansiedade gera uma nova indústria. Curadoria! Essa é a palavra do momento. Curadoria, seja para o que for, será o novo hype (exagero). Já dizíamos, informação demais é desinformação. Menos é mais. Isso nunca foi tão verdadeiro como agora.

De utopias a distopias. Ideias como as da indústria 4.0 são absolutamente Black Mirror, mas já soam como absolutamente reais. Nesse sentido, talvez em um futuro bem próximo, compraremos produtos virtuais que se materializarão em impressoras industriais que estarão dentro ou perto de nossas casas. Sim, a Adidas já vende um arquivo de tênis pela internet que você imprime literalmente em seu próprio quarto. Mas tudo isso só é possível porque o conceito de branding evoluiu. Porque o ser humano é um eterno insatisfeito. Porque todos somos uma versão 'beta eterno' de nós mesmos, e nunca chegaremos a um ponto final da evolução. Os três pontinhos da história que continua é sempre mais sexy e atraente do que o ponto final. Concordam?

Propósito é valor. Branding é performance. Assim nascem marcas que impressionam pelo crescimento exponencial de seus ativos. Assim surgem startups e spinoffs que, em questão de meses, ou, no máximo, poucos anos, tornam-se líderes e exemplos a serem seguidos. Dessa forma, sobem ao palco de um grande festival e arrancam aplausos e assobios de vibração de uma multidão.

Porém, outros sobem ao palco para desmistificar e transmitir o real significado por trás de tudo. A busca de felicidade não só entrou no core das conversas corporativas como é um dos grandes mantras. Respiração é o instrumento que o corpo nos deu para controlar a mente. Saber disso é dar um passo a mais na evolução da produtividade e da busca pela plenitude.

Nesse contexto, a discussão em torno da tecnologia não tem sentido sem também trazer para dentro do debate a representatividade. O assunto é transversal. Está em tudo. De visões inclusivas às abordagens complementares. O fato é que gênero, raça e inclusão precisam estar presentes dentro do universo da singularidade tecnológica. E está! Tecnologia pode tanto agravar como diminuir preconceitos e intolerâncias. Entende como inovação não é sobre máquinas, mas sim, sobre pessoas?

Bom, o Festival Path aconteceu nos dias 19 e 20 de maio, na Vila Pinheiros, em São Paulo. O evento é um grande mosaico de visões que permitem pessoas construírem seus próprios caminhos. São mais de 300 atividades sobre os mais diversos assuntos, somando mais de 500 horas de conteúdos.

Enquanto ainda não inventaram alguma tecnologia que nos dá a capacidade de onisciência, esse breve resumo acima é um pouquinho do que consegui assistir e processar. Existem milhares de outros caminhos percorridos por milhares de outras pessoas que estiveram lá. O que eu escolhi está longe de ser a única verdade. É apenas mais um lado da engrenagem da transformação...

João Ramos é fundador do Black Sheep Project.

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