Marcas que inspiram

Por Joelma Maino, para Coletiva.net

O mundo virou de cabeça para baixo? O que é não é mais? Como era também não? Vamos fatiar uma pizza? Ou melhor, vamos por partes mesmo. Não é bem assim. Vivemos com muita intensidade. Mudanças para todos os lados. Produtos com ciclo de vida curto. Tendências galopantes. Mentes acobertadas de tarefas e pensamentos. As marcas buscando seu espaço e atenção. Tempos de transformações significativas. Valores, hábitos, experiências.

Então, o que foi e o que será quando se fala em comunicação? Ela faz parte do Marketing. 4P´s? Não mais. Vamos adaptá-los para os 4C´s. Novos tempos. Novos produtos e serviços. Novos desejos. A sociedade está mudando. Tecnologias disruptivas. Convergências e divergências simultaneamente. A simplicidade pedindo espaço. Nada mais relevante para uma marca que apresentar a sua verdade e a sua transparência pela conversa fluida que estabelece com seu público, por meio da clareza que demonstra no seu diálogo perante as mensagens que emite, pelo posicionamento estratégico definido e pelas metas e objetivos que pretende alcançar.

A comunicação não é mais unilateral. A conversa foi ampliada não apenas para os públicos segmentados, mas para um perfil de pessoas, de tribos e comunidades que se unem por sentimentos e semelhanças muito além de uma base demográfica, geográfica ou comportamental. Além de atributos diferenciados, uma marca se destaca perante tantas outras num imenso campo concorrencial pelas suas características humanas, sociais, éticas e por meio de sua transparência em tempos digitais, que se traduzem na sua atitude perante a sociedade a qual está inserida.

Marcas que descomplicam, simplificam, se engajam, dialogam e permitem a cocriação e a colaboração. Que corrigem uma ação mal conduzida de forma serene. Marcas que se importam com o bem-estar social, mas não por meio de sacadas marqueteiras, mas sim, por possuírem relevância e valor agregado pela sua autenticidade e sua reputação conquistada perante sua trajetória, serão as que sobreviverão e se destacarão no mercado. Marcas que comunicarem, com clareza, seu propósito e entregarem o que prometem, não terão apenas um espaço na mente do seu público-alvo; elas estarão presentes no seu coração e, para além, no seu espírito. O consumidor deve ser percebido como um ser humano completo, com plenitude, que almeja sua felicidade, que prioriza seu tempo e estabelece valores de vida e que busca, também, no seu processo de tomada de decisão de compra, marcas fortes, verdadeiras e únicas que possuem credibilidade e confiança.

Em meio a tanta informação, a comunicação, através de conteúdo relevante e atrativo, permitirá maior engajamento e conexão entre as comunidades que a marca pretende atingir e está inserida. Hoje, a forma que uma palavra é posta, uma vírgula, é essencial no processo comunicacional. Há time para respostas. Há formas de retorno e sentimentos entre os lados que devem ser considerados. Os canais estão disponíveis. Podem ser presenciais, eletrônicos ou digitais. O que vale é a experiência única. A atenção ao protagonista. Sim, na era da economia digital, a visão deve ser horizontal. Estar ao lado, partilhar, compartilhar ideias, serviços e produtos. Marcas que entregarem, além de um benefício, um produto, mas que tocarem o ser humano por sua integridade, por seu estilo único, sua atitude, pela forma como inovam, por serem socialmente responsáveis, pelo significado que possuem, pela sua performance, pela sua qualidade superior, sempre terão espaço conquistado. São amadas. Possuem sua personalidade única. Seu jeito. Podem ser conectadas por máquinas, mas, também, por um coração humano que palpita e se torna um evangelizador e defensor das suas lovemarks. Elas inspiram e traduzem, por que não, a tão almejada fidelidade.

Joelma Maino é professora e gerente de Marketing da Universidade Feevale

Comments