Dado Schneider: "Estamos diante de muitas mudanças de pensar e agir"

Doutor em Comunicação falou sobre o conflito entre as gerações no BS Festival

Dado fala de forma bem-humorada com a plateia lotada - Divulgação/Coletiva.net

O conflito entre as gerações foi o tema da palestra do doutor em Comunicação Dado Schneider. Ele fez uma comparação entre as diferentes idades, lembrando de como era no seu tempo e prevendo como será em poucos anos. "Estamos diante de muitas mudanças de pensar e agir", falou para uma plateia lotada com 70 pessoas, na Fábrica do Futuro. Devido ao espaço limitado, a palestra foi passada, ainda, em um telão para mais 20 pessoas em uma sala ao lado. "Vocês são a geração sanduíche: não tem tanta cultura como a minha, e não é tão digital quanto a que está aí", analisou e brincou: "Se quiserem, podem sair. Eu sei que estou acabando com a motivação de vocês".

Uma previsão feita por ele é que as mulheres vão mandar no mundo e nas organizações. "Os homens não negociam como as mulheres dessa nova geração. Com um guri é só jogar videogame, mas as meninas de 10 anos são inegociáveis", comentou. Ele acredita que a era atual será estudada daqui a 200 anos como a geração da internet, mencionando inovações como big data e inteligência artificial, por exemplo. "Não é legal conviver em um lugar no qual gente pensa no século XX ou XIX e nós pensamos no século XXI. Minha geração é ridícula, porque fomos criados para reter a informação. Hoje, temos o compromisso com o futuro de não deixar os que estão ao nosso lado para trás", declarou.

Atualmente, vivemos a era de adaptação e de atualização, segundo Dado, que também defende que não é, necessariamente, para gostar do que está acontecendo. "Mudar é entender o que está acontecendo para ver se conseguimos aceitar." Ele comparou, também, a questão da verticalidade e da horizontalidade. "Autoridade no século XX era uma barbada, porque era de cima para baixo, tanto em casa quanto nas empresas. Hoje, ainda existe a hierarquia, mas é muito diferente", falou, e acrescentou: "Fomos educados para subir na vida, galgar passos e crescer na profissão. A geração Z é a primeira que nasce apenas herdeira e não terá uma trajetória vertical como a nossa. Vai ser em espiral".

Segundo ele, estamos em uma era em que basta aparecer, enquanto antes era ter. Agora, vamos entrar em uma época que mescla os dois, junto com o 'parecer' e com o 'ser'. Ao finalizar, mencionou que precisamos entender o que temos que fazer, pois estamos em uma era de adaptualização - adaptação e atualização. A neologia, criada por ele, que, há 10 anos lançou a palavra Digiriatria - digital e geriatria -, se refere ao fato de que as pessoas não podem somente se adaptar sem se atualizar, ou vice-versa. Tem que ser simultâneo. "Quem se informa se recicla, quem se recicla rejuvenesce e quem rejuvenesce aumenta a longevidade profissional."

A equipe de Coletiva.net conta com o apoio do Grupo RBS e do Sicredi para a realização da cobertura em tempo real do BS Festival. Ao longo da programação, a editora do portal, Gabriela Boesel, as repórteres Júlia Fernandes, Luana Nyland, Marla Gass e Patrícia Lapuente, e a publisher Márcia Christofoli produzem conteúdo sobre o evento e seus bastidores, além de alimentarem as redes sociais com tudo o que acontece no evento.  

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