Os melhores, os verdadeiros e os mais constantes

Por Márcia Martins

Nesta próxima sexta-feira, 20, comemora-se o Dia do Amigo, uma das datas mais especiais do calendário, depois, é claro, do Dia das Mães, e que merece todas as homenagens possíveis, reais ou virtuais. Pois, devo confessar ser uma privilegiada. Poucas pessoas que eu conheço nesta vida podem dizer em alto e bom som ter amigos (as) fiéis e verdadeiros (as). De fé, como diria, com aquela risadinha, o homem que queria um milhão de amigos. Saiba senhor Roberto Carlos, que o bom mesmo é ter amigos (as) de qualidade, companhias para todas as horas, para todas as ocasiões, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza.

Eu posso gritar ao mundo, sem medo de ficar parecendo exibida ou que estou naquelas de contar vantagens, que tenho os melhores, mais verdadeiros e mais constantes amigos (as). A linguagem inclusiva manda que eu prossiga na coluna usando a palavra amigos e amigas, no masculino e no feminino. Mas o texto iria ficar muito chato. Enfadonho. Nem mesmo meus amigos mais do coração teriam paciência para ler até o final. Então, com minha licença de feminista assumida e que não precisa provar nada para ninguém vou simplificar esta questão.

Sei que tenho amigos que jamais falhariam a um apelo meu, um grito de socorro, um pedido de ajuda. Posso chamá-los no meio da noite, pelas redes sociais ou até acionando o celular, quando me invade aquela preocupação, aquele medo do futuro ou se desperto amedrontada de um pesadelo. Eles nunca me faltarão. Sei que tenho amigos com quem posso ficar um tempo considerável sem o contato pessoal, aquele que é muito mais valoroso do que o virtual. Mas que quando ocorrer o encontro depois de um período considerável de distância, é como se a convivência fosse diária e como se tivesse visto tais amigos todos os dias e conversado todos os momentos. Eles são onipresentes.

Carrego comigo amigos que ainda trago dos tempos de colégio, da faculdade, do primeiro emprego, da militância, de todas as fases da minha vida. Tenho amigos que me conhecem só pelo meu tom de voz ou, nestes tempos de internet, pelo tipo de postagem que coloco nas minhas redes sociais. Não é preciso que eu lhes diga se algo não está como eu gostaria. Eles percebem porque me conhecem melhor do que ninguém. Dos meus amigos é impossível esconder a mágoa, disfarçar a mágoa, omitir a dor, camuflar o ciúme, fantasiar os sentimentos. Eles sabem até a cadência do pulsar do meu coração e o jeito de caminhar.

Alguns e são os muito especiais são capazes de guardar a dor deles no bolso se eu pedir ajuda para cuidar da minha. Alguns e são os mais verdadeiros enfrentam comigo os momentos de desgraça, de infortúnio, de fundo do poço e mostram, nestas situações principalmente, toda a qualidade da amizade. Outros sabem inclusive das minhas mais profundas e escondidas fraquezas, dos meus piores defeitos, dos meus pequenos pecados de cada dia, e, ainda assim, gostam de mim e continuam meus amigos. São os inseparáveis. Outros dizem tudo aquilo que eu preciso ouvir, mas não gostaria, e que só mesmo um amigo tem o dom e a permissão de fazê-lo. São os indispensáveis.

Amigo que é amigo encara tudo com a gente. Amigo que é amigo topa qualquer parada. Amigo que é amigo nunca diz que vai chover se você convida para um passeio ao ar livre, tem sempre tempo para um cinema, encontra um intervalo entre seus compromissos para secar suas lágrimas e aceita bebericar algo com você para multiplicar suas risadas. Amigo que é amigo é parceiro das suas loucuras, ouve pela milésima vez a mesma estória de amor, não reclama do seu humor quando surge alguma encrenca, te salva das enrascadas e escuta todas as bobagens ditas naquele porre homérico.

Como sabiamente escreveu o poeta Mario Quintana, "a amizade é um amor que nunca morre". Por isso, nesta semana em que se comemora o Dia do Amigo, só posso reforçar: valeu por vocês existirem amigos.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editoriais de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em antologias, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA). Tem o blogmarcinhaprodigio.blogspot.com. É mãe da Gabriela e avó dos caninos shih tzu Dalai, agora uma estrelinha, e do vira-lata Quincas Fernando.

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