Peraí, que tô lembrando

Por Flavio Paiva

Não apenas pelo recente e trágico incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, mas sempre achei a preservação da memória (e sua valorização, portanto) como algo extremamente importante. Não estou sozinho nesta: foi descoberto há poucos dias o que devem ser os primeiros e mais antigos escritos em pedra do ser humano. Ou seja, desde sempre a humanidade considerou importante repassar suas lembranças, memórias e, com elas, aprendizados.

Sempre foram os mais antigos, que estão aqui há mais tempo, os responsáveis por esta transmissão. Ao longo de vários séculos ao redor de uma fogueira, depois em torno de uma mesa e hoje já não há mais formato único. Com o acirramento do momento econômico brasileiro, cresceu a importância dos avós, primeiro e ainda como cuidadores, mas também como fonte de renda (adicional ou mesmo única) para milhares de famílias. E esta ascendência, somada ao fato da real experiência, fez com que houvesse maior interação, elevando a importância dos nossos idosos. Importantíssimo cotar ainda o aumento da expectativa de vida, com o envelhecimento da população brasileira. Isto está mudando o cenário de famílias e da própria economia, que já enxerga os mais velhos como importante parcela consumidora e prestadora de serviços (como é do conhecimento, surgiram há anos várias agências de emprego para os acima de 50 - sinal de que as empresas estão demandando esta mão de obra)

Mas voltando à memória e preservação de identidade de culturas (seja através de patrimônio material ou imaterial), prédios, tradições, cultura contam nossas origens e história. E é fundamental ao ser humano saber de onde veio (tanto assim que muitos embarcam em verdadeiras viagens para montar a sua árvore genealógica), como chegamos aqui, para nos entendermos melhor como cidadãos, sociedade e isto faz com que entendamos e enxerguemos melhor para onde vamos. É o nosso pertencimento, nossa inserção nesta sociedade. Nossa identidade. Portanto, deixar queimar parte da história brasileira (e mesmo mundial) é algo trágico.

Em tempos de startups, em que jovens geeks estão sendo alçados à fama e fortuna, será que nossas memórias estão perdendo importância? Não! Pelo contrário, elas se tornam ainda mais importantes, exatamente por fazerem parte da construção de cada um como indivíduo. E veja que um dos maiores diferenciais dos celulares, tablets e computadores são exatamente sua capacidade de memória. Claro que parte está destinada a permitir que os programas rodem. Mas outra importante parte serve exatamente para o armazenamento de conhecimento, memórias e mesmo lembrança. Isto sem falar que as universidades melhor classificadas no quesito empregabilidade (ou seja, que recrutadores selecionam na hora de contratar) são centenárias e que mesmo startups e empresas de ponta estão mesclando a juventude com os cabeças brancas.

A mulher do Pau Brasil - Adriana Calcanhotto

Uma célebre e, portanto, memorável apresentação quem fará em Porto Alegre amanhã será Adriana Calcanhotto. Depois de ser nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra em 2015, a artista aprofundou estudou e lecionou naquela Universidade. O título do show faz referência ao também memorável Manifesto da Poesia Pau-Brasil, do modernismo dos anos 20 e trará a cantora executando algumas sensacionais canções como 'Esquadros', 'Inverno' e 'Vambora', fazendo releituras e, claro, trazendo grandes novidades. Não deixe de ir, mas mexa-se! Os ingressos estão terminando! Info em www.teatrodobourboncountry.com.br. Vá e depois me diga! E não esqueça!

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