Pirataria: prejuízos também no marketing

      Quarta-feira, dia 06/03, foi lançada uma grande campanha de combate à pirataria de produtos no Brasil, com investimento previsto de mais de R$ 4 …

      Quarta-feira, dia 06/03, foi lançada uma grande campanha de combate à pirataria de produtos no Brasil, com investimento previsto de mais de R$ 4 milhões. A campanha envolve diversos setores: software, discos, licenciamento, vestuário, brinquedos, entre outros, que se reuniram para tentar encontrar alternativas de combate efetivo à pirataria.
      O prejuízo que os produtos piratas trazem à economia brasileira é calculado em mais de R$ 2 bilhões por ano, um número nada desprezível. O cálculo é da International Intelectual Property Alliance (IIPA).
      Porém, além dos inevitáveis prejuízos financeiros, temos os prejuízos de imagem de produtos e marcas. Vejamos:
      Um produto que tenha como target as classe A e B, pode estar sendo utilizado (em sua versão pirata, é claro) em grande escala por classes C e D. Nada contra, mas analisando do ponto de vista de marketing, é uma catástrofe. Todo o planejamento, campanhas de propaganda, investimento em mídia, foram desenvolvidos objetivando determinado público e, principalmente, um determinado posicionamento no mercado.
      Outro problema: proliferam-se em camelôs e lojas de R$ 1,99 as camisetas que trazem estampado o alvo que caracteriza a campanha de conscientização do câncer de mama, pois por sua característica politicamente correta, a camiseta virou moda. Obviamente, são piratas. Ocorre que parte da renda obtida com a venda destas camisetas é revertida em investimentos na saúde. Se o produto é pirata, isto não acontece. Assim, os objetivos a que se propunha a campanha não são atingidos.
      Vamos para brinquedos. Existem inúmeros casos de pirataria neste segmento. O mais preocupante é que, como destinam-se a crianças, os produtos que queiram entrar legalmente neste mercado devem atender a uma série de requisitos de segurança, qualidade e garantia, sendo pré-testados antes do uso. Basta andarmos pelas ruas para vermos produtos "iguais", mas nem tanto. Peças se soltam, podendo ser engolidas pelas crianças, pequenas pontas podem ferir, não há garantia com relação à qualidade.
      Futebol: muitíssimo comuns, os produtos piratas (que incluem até réplicas das camisetas oficiais) são vendidos em grande escala. Há inclusive venda de produtos piratas nas próprias lojas dos clubes. Resultado: sempre que pensamos em produtos com as marcas dos clubes, pensamos em produtos de baixa qualidade, o que não necessariamente corresponde à realidade.
      Concluindo, posso dizer que o prejuízo é da indústria brasileira como um todo, pois esta prática (pirataria) acaba afetando a imagem dos produtos brasileiros. Cria-se de uma maneira quase imperceptível uma idéia de que os produtos vendidos no Brasil são de baixa qualidade, tão grande a escala de produtos ruins disponíveis no mercado. Óbvio que é uma associação equivocada, mas que acaba acontecendo, ampliando em muito os R$ 2 bilhões de prejuízo com pirataria calculado pelas empresas.
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