Seis votos e um destino

Por Elis Radmann

O "tempo da política" começou com o início das campanhas eleitorais no rádio e na televisão, e com a intensificação da presença dos candidatos nas ruas e nas redes sociais.A maioria dos eleitores está em processo de avaliação dos candidatos. Sendo que 2/3 dos gaúchos têm intenção de voto declarada e 50% destes 2/3 não está com seu voto cristalizado.

Significa dizer que a eleição está aberta com 1/3 dos eleitores com voto cristalizado, 1/3 avaliando os candidatos e outro 1/3 desesperançoso. Os eleitores descrentes oscilam entre a possibilidade de votar em um candidato, votar branco/nulo ou, ainda, abster-se do processo.

A população brasileira nunca foi muito chegada em política. Com a ampliação dos escândalos de corrupção e piora da situação econômica, ampliou-se o sentimento de negação. Muitos eleitores avaliam que não vale a pena votar ou que a eleição não irá alterar a realidade do País.

Por princípio, a política é doação, é quando um indivíduo utiliza a sua capacidade de liderança em prol do bem comum, do interesse público: falar em nome dos outros, lutar pelos outros. O político deveria se dedicar na representação de ideais, de causas e bandeiras.

Serão seis votos em prol de um destino, o do Brasil. Se o político precisa se doar, o eleitor precisa saber escolher, ou, pelo menos, não deixar de tentar, não perder a esperança, cada eleitor tem um papel muito importante. Neste processo eleitoral de 2018, vamos escolher seis candidatos: presidente da república; governador; dois candidatos a senador; deputado federal e deputado estadual.

O presidente da república decide o rumo da nação no que se refere à economia e às políticas públicas. O presidente é o chefe das Forças Armadas e tem a função de enviar, ao Congresso Nacional, projetos de lei. O Congresso Nacional é composto pelo Senado e Câmara dos Deputados.

O Senador da República defende os interesses do Estado e é o único cargo com mandato de oito anos. O Deputado Federal representa a população de um Estado ou região. Estas duas casas, juntas, têm o papel de criar, alterar ou aprovar leis que dizem o que podemos ou não fazer. Também devem fiscalizar o trabalho do presidente da República. Ou seja, são essas pessoas que irão decidir a tendência da economia, a reforma trabalhista, o fim do foro privilegiado, o fim do desarmamento e até a mesmo a criminalização do aborto, entre outros tantos temas. Cada eleitor dá um voto para que um político vote em Brasília!

O governador do Estado faz a gestão das políticas estaduais, cuida da saúde, educação, segurança, obras de infraestrutura e, atualmente, administra a crise financeira do Estado. Os deputados estaduais têm o papel de fiscalizar o Governador e deliberar as leis do estado, sem entrar em contradição com as leis do País (só podem propor o que não está ou não fere a Constituição).

O primeiro passo é pensar o que queremos para o Brasil? Primeiro, temos que definir o que é vital; queremos um presidente que foque na economia, na saúde ou na segurança? Política é a arte de fazer escolhas! Depois, temos que pensar que apoio vamos dar a esse presidente, os senadores e deputados que irão ajudá-lo.

Posto isto, temos que pensar no Estado: que tipo de condução queremos para o RS? Quais são as nossas demandas e quem as representa? E não se esqueça de pensar no apoio: governador precisa de deputado estadual.

São seis votos e um destino, e cada eleitor tem parte na escolha deste destino.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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