Siga pela linha do horizonte

Por Grazielle Araujo

Hierarquia sempre existiu e eu ouso dizer que sempre existirá. Faz parte de modelos de negócios, de cargos e de responsabilidades individuais. Porém, a horizontalidade ganha o meu coração. Talvez seja porque eu sempre preferi tudo junto e misturado. Cabeças pensantes, pensamentos agregadores, frescura zero e objetivos semelhantes. Tudo isso tende a ser mais assertivo, mais leve e mais alegre.

Eu nunca fui exemplo de formalidade e, por vezes, alguns integrantes do sistema tentava exigir. Diferentes experiências me provaram que a intimidade, a confiança e o respeito - todos recíprocos - ficam acima de exigências antiquadas e irrelevantes. Todos têm o que contribuir. Às vezes, ouvir a moça do cafezinho, trocar uma ideia com a recepcionista e captar as percepções do segurança podem mudar uma instituição. Todos são olhos, ouvidos e vestem a camisa e vivem o nosso negócio. Ouvi-los não custa nada e arrisco dizer que é possível conseguir informações privilegiadas de quem tudo vê e tudo sabe. Não, não estou falando de fofoca, esse é assunto para outro texto.

Ainda há profissionais que, pela proximidade com os cargos mais altos, têm o costume de fazer questão de dificultar as coisas ou manter os 'reles mortais' distantes, bloqueando a parte de cima do organograma de qualquer tipo de contato ou interação com os demais. Escudo, colete a prova de balas e carro blindado são fichinhas para tamanha proteção. Quando a determinação não vem de lá, qual é mesmo a vantagem em centralizar tudo? Ter mais trabalho? Abraçar o mundo e não conseguir mais usar os braços para outra coisa? Querer provar algo que não se tem ou não se consegue ser?

Está cada vez mais claro que o antigo sistema vertical está perdendo forças. Grandes e bons gestores já não trabalham mais assim e compõem a sua equipe com profissionais multitarefa e sem muita frescura. Botam o assunto na mesa, servem o seu café e dão risada dos problemas. Quando encontram - nesse conjunto - a solução de qualquer problema, a sensação de dever cumprido e o brinde são coletivos. Todos voltam para suas casas satisfeitos com a cumplicidade da equipe e acordam com vontade de trabalhar no dia seguinte. Não há situação mais prazerosa do que ouvir o despertador tocar e agradecer pelo trabalho que te espera logo mais.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. É a responsável pela Comunicação Social do IPE, da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Atuou ainda na comunicação da Martins + Andrade, Uffizi, CDL Porto Alegre, Palácio Piratini e Assembleia Legislativa. Tem o site www.graziaraujo.com.

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