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Das crianças e jovens

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Quando a realidade está tão dura, dá até vontade de voltar a ser criança. Voltar a brincar (quase) sem horário (pois sempre tem um adulto para chamar e dizer que está na hora de almoçar, ir para a escola, tomar banho) e principalmente sem preocupação.

É verdade o jargão de que há uma criança dentro de todos nós. Algumas, como Peter Pan e Michael Jackson, exageram na dose. Mas se tivermos olhos para ver o mundo a partir de uma amoreira, jamais se perde esta criança. O que é bom em tempos de crise.

Bom porque simplifica muitas coisas. Decisões que às vezes nos parecem muito difíceis são fáceis de serem tomadas a partir dos olhos e da cabeça de uma criança. Ela pega os elementos da equação, analisa e pensa: “O que é melhor?”. Decisão tomada.

Não defendo que o mundo seja visto unicamente a partir dos olhos das crianças, pois há de fato questões bem mais complexas, de pensamento, evolução e decisão. O que defendo aqui é que o mundo não seja tão adultizado sempre. Deixe espaço na cabeça e no coração para a criança, o mundo fica mais colorido e simples.

Isto sem falar que há uma infantilização crescente no mundo, adultos aí sim se comportando como crianças em momentos em que têm que comportarem-se como adultos. São possivelmente infâncias perdidas que querem ser resgatadas na idade adulta. Há a idolatria da fonte da juventude, a busca incessante e desesperada de muitos homens e mulheres bem crescidos por manterem-se jovens. Claro, o medo da proximidade da morte está sempre presente nestas pessoas e eu ousaria dizer que ele é próprio do ser humano. Mas medo da morte quando ela ainda se apresenta distante é doideira. E é um tal de se esticar, fazer preenchimento, pintar cabelos, fazer cirurgias que é quase inacreditável. Ah, sem falar nas vovós que querem se parecer com as netinhas na maneira de se vestir.

Manter um gérmen de criança dentro de si não significa querer aparentar uma quando adulto. Ou aparentar um adolescente. Ter a cabeça jovem não significa comportar-se como um. Significa ter ideias novas, estar aberto a analisar tendências, usar a experiência em favor da juventude.

Que nunca se perca a perspectiva da amoreira, tampouco a noção de realidade.

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