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Desrespeitos e crenças

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Se rimos de católicos, macumbeiros, islamitas, cientologistas ou qualquer outro crente, corremos perigo de excomunhão, um despacho na encruzilhada, a cabeça a prêmio ou perseguições encarniçadas. É, em geral os crentes não respeitam nenhuma crença que não seja gêmea da deles, muito menos a descrença, e se acham no direito de retalhar inclusive fisicamente. Isso não é bonito, ainda mais em gente com a pretensão de representar o bem, com maiúscula ainda por cima.

Roupas cosméticas

Primeiro, foram os cremes milagrosos, depois os aparelhos que fazem a ginástica por nós e as dietas em que se pode comer de tudo. Agora, roupas cosméticas, como calças pra evitar celulite. Isso me lembra da frase de um personagem do Oscar Wilde que queria saber o segredo da juventude eterna, desde que não precisasse fazer exercícios.

Coincidência

Todo mundo conhece a história: na mesma época, sem um saber do outro, Cortázar e Casares escreveram o mesmo conto, “La puerta condenada” e “El mago inmortal”, respectivamente. Mesmo conto? Até por aí. Um sujeito, em viagem a Montevidéu, se hospeda num hotel e presencia coisas estranhas no quarto ao lado. Só. Em “La puerta condenada” tudo parece exato e palpável, dos móveis à atmosfera, sem falar que no fim a gente fica com uma sensação de terror indizível. Cortázar dá uma aula de suspense, de sugestão. O que sobra de “El mago inmortal”? Nada. Trata-se apenas de uma piada sem muita graça. Coincidência mesmo seria se o conto de Casares também fosse uma obra-prima.

A calcinha da rainha Vitória

Foram leiloadas umas roupas íntimas da rainha Vitória. A calcinha, uma espécie de bombacha branca que vai até o meio das canelas, com 127 centímetros de cintura, saiu pela bagatela de 4,5 mil libras. Uma camisola, por 5,5 mil libras. Uma camisa, com 167 centímetros de busto, por 4 mil libras. A velhota era gorda e baixinha.

Leio esses dados de almanaque e fico remoendo. Certo, comprar a calcinha da rainha Vitória não é pior que comprar o chiclete mascado pela Marilyn Monroe, ou uma lata de brilhantina usada pelo Elvis Presley. As taras são variadas e pitorescas, sabe-se. Agora, mesmo encarando isso tudo com bom humor, não há como não pensar que o homem, como espécie, se fosse a leilão, não valeria dois vinténs.

Ratos & gatos

Não entendo a fixação do cinema americano por ratos. Um bicho daninho, transmissor de peste, é transformado numa coisinha fofa. Os gatos, nobres e belos, são transformados em psicopatas trapalhões. Freud explica? Lacan, quem sabe? Diana e Mário Corso, relpe-nos.

Um dos meus sonhos dourados era acertar o Jerry entre os olhos com uma doze de cano serrado.

Regras & exceções

Toda regra tem exceção. A exceção desta é não ter exceção.

Autor
Ernani Ssó se define como “o escritor que veio do frio”: nasceu em Bom Jesus, em 1953. Era agosto, nevava. Passou a infância ouvindo histórias e, aos 11 anos, leu seu primeiro livro sozinho:Robinson Crusoé. Em 1973, por querer ser escritor, entrou para a Faculdade de Jornalismo, que deixou um ano depois.  Em sua estréia, escreveu para O Quadrão (1974) e QI 14,(1975), publicações de humor. Foi várias vezes premiado. Desenvolve projetos literários para adultos e crianças.