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As pessoas falam

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É parte fundamental da história do ser humano a comunicação, a fala. A transmissão do conhecimento, por exemplo, se dá, em grande parte, através da fala.

Amores, empregos, pregações, defesas de teses. Nestes e muitos outros a fala é fator essencial.

Como um casal se conheceria se não fosse conversando (está certo, depois a convivência ‘fala’ até mais do que a própria fala). Mas, antes, nas preliminares de um relacionamento, como aconteceria? Para os surdos ou mudos há linguagens de sinais, mas que são apenas substitutos da fala.

Ontem, antes do cinema (a propósito, assistam ‘A Última Lição’, em cartaz no Guion), fiquei observando no café como conversam as pessoas. Conversam de si, muito de si. As pessoas falam muito de si. Poucas são boas ouvintes. E há um conteúdo de fala narcísica, em que as pessoas querem exaltar seu jeito de ser, sua maneira de pensar. Não se trata de uma troca de pontos de vista, de um modo geral. Mas de uma exibição de pontos de vista, com baixa tolerância para a verdadeira interação e o que eu denomino relacionamento. Isto que eu estava em um ambiente cultural.

Ouço muito por aí, também, as famosas abobrinhas. Porque além do que expus acima, as pessoas falam muita abobrinha. Coisas inúteis, sem importância nenhuma parecem atrair a atenção, o pensamento (e o que é pior, para quem está por perto) e a fala. Falam banalidades triviais, com o exagero da expressão. Porque ok, a vida está cheia de banalidades, mas ela também pode ser rica e relevante. Como tudo, trata-se de uma opção do indivíduo. Mas o que mais ouço por aí são as falas banais e irrelevantes.

Outro fenômeno comum na fala das pessoas é a macheza. Quando falam, em especial quando falam ao celular, elas fazem e acontecem, mandam e desmandam, se exasperam, falam alto. Porém, depois de uma certa idade a gente sabe que entre o que as pessoas falam e o que as pessoas fazem há uma longuíssima distância.

Deveria haver uma espécie de fala seletiva, em que as abobrinhas ficassem confinadas a ambientes privados (mas privados mesmo, pois restaurante, avião, cinema NÃO são ambientes privados). Um ambiente repleto de falas inúteis é um ambiente poluído.

O ser humano continuará falando e falando e falando, porque é indispensável. Mas seria muito mais útil e agradável se subíssemos o nível do que se fala. Mas para isto, é necessário elevar o nível do que se pensa. E aí já é outra coluna.

DICAS DO GUION

Mantendo o ritmo constante e elevado de pré-estreias, estreias e continuações, o Guion é grande alternativa para as férias, reunindo exposições de arte, lançamentos de livros, um saboroso e variado café e, é claro, muitos e qualificados filmes. Vamos à programação que está entrando em cartaz hoje, 5:

Pré-estreias:

‘A Criada’ (somente sábado, 7, às 20h50; Coréia do Sul, 144min, direção de Park Chan Wook, Drama); ‘Assim que Abro Meus Olhos’ (6 e 8, às 20h50; França-Tunísia-Bélgica, 107min, direção de Leyla Bouzid, Drama)

Estreias:

‘Eu, Daniel Blake’ (Reino Unido-França-Bélgica; 97min, direção de Ken Loach, Drama)

Em cartaz:

‘Estados Unidos Pelo Amor’, ‘Elis’, ‘Neruda’, ‘A Última Lição’ e ‘Capitão Fantástico’

Confira horários e a super econômica modalidade de tornar-se sócio do Guion em www.guion.com.br.

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