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Como se faz para ser um bom Prefeito?

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Mais um ciclo de gestão municipal se inicia e os Prefeitos que assumiram em 01 de janeiro de 2017 completam seu primeiro mês de trabalho. A grande dúvida e pergunta da maior parte dos prefeitos, que se preocupam com o bem comum, é a seguinte: “como faço para ser um bom prefeito”?

Cada vez mais há uma preocupação recorrente com a questão administrativa e legal, com o temor de não cometer nenhum tipo de infração ou improbidade administrativa. Os prefeitos que não optam por uma boa retaguarda jurídica e administrativa se ocupam na burocracia da documentação e se afastam do conceito de “bom Prefeito”.

O conceito de bom Prefeito, na análise de uma cientista social e política, está associado à satisfação dos munícipes. Se a finalidade de um Prefeito é gerir o bem comum, então a satisfação da população externa a satisfação do bem comum.

Ao longo de duas décadas coordenando estudos de avaliação de gestão pública a frente do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, desenvolvi um método utilizando os três pilares basilares da ciência: a) descrição, b) regularidade e c) estabelecimento de leis e teorias. Focarei no compilado de conhecimento e não irei me deter na explicação neste artigo no procedimento metodológico dos estudos.

Como a opinião pública avalia que tem um bom Prefeito?

A opinião pública reconhece que tem um “bom Prefeito” quando o mesmo atua de forma integrada, no que os cientistas do IPO classificam como o “tripé de gestão”. O “tripé de gestão” é composto por três macro áreas de atuação que devem ter uma visão holística do Prefeito. O bom Prefeito não é aquele que faz mais obras, que trabalha mais no seu gabinete ou que gasta muito em comunicação. O “bom Prefeito” é o “bom pai”, neste caso, “o pai da cidade”. Não instigo a analogia com paternalismo clássico da política brasileira (por mais que este princípio esteja na veia da cultura política da sociedade e nutra esta premissa). A analogia desta reflexão “de pai da cidade” está associada a três lógicas de senso comum:

a) Presença/ indicação do rumo/ segurança política/ sabe o que seu time está fazendo (que envolve a gestão/ política);

b) Realização/ entrega de serviços/ em especial, não desamparar uns em detrimento de outros (está associada à prestação de serviços);

c) Explicar o que acontece, mesmo que seja para dizer que não pode fazer (intimamente ligada à política de comunicação adotada).

Quando a população tem a percepção de que o Prefeito se preocupa com a cidade, faz indiretamente a associação com “o pai da cidade”. Retomando a premissa técnica, o tripé de gestão é constituído pelo seguinte raciocínio:

Elis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a) Gestão/ política = O gestor escolhe os melhores profissionais para compor o seu time. Cada profissional tem expertise na área. O Prefeito tem metas interligadas para cada um, mostrando que a gestão tem um rumo político, um propósito. Neste campo, entram as ações de participação e empoderamento do cidadão; inclui desde programas de Prefeito no Bairro até a utilização de aplicativos de relacionamento.

b) Serviços = O “bom prefeito” atua para ampliar a entrega dos serviços e torná-los cada vez mais eficientes. Quando os recursos são escassos, um “bom Prefeito” deve ter a capacidade de estimular e motivar seus secretários a fazerem “mais com menos”. Significa dizer que as ações devem ser realizadas de forma racional para otimizar resultados, mas com “capricho e carinho”, para acolher a população da forma mais adequada. Há necessidade de lutar contra a premissa de que “o que é de todos não é de ninguém”.

c) Comunicação = A comunicação integra o tripé de forma efetiva. É na comunicação que o “bom prefeito” consegue demonstrar o rumo de suas ações, de sua gestão e, principalmente, consegue integrar a sociedade em projetos ou programas de governo. Há Prefeitos que até conseguem implementar novas lógicas comportamentais, como por exemplo, a resposta da sociedade a programas de educação ambiental que primam por reduzir o descarte de lixo em espaços públicos.

Sistematizar a expectativa da população é fácil, governar é difícil. Para alguns prefeitos, cuidar do tripé de gestão esbarra na sua incapacidade de administrar os conflitos internos dos partidos que compõem o seu governo e que interferem diretamente na eficiência de sua gestão. Nestes casos, o debate não é sobre o conceito de “bom Prefeito”, mas sim, de “bom político”.