O boato se propaga na era digital: os principais comportamentos dos usuários

Vivemos em uma era digital, com mais de 60% dos gaúchos conectados nas redes sociais, onde a informação e a boato disputam as timelines …

Vivemos em uma era digital, com mais de 60% dos gaúchos conectados nas redes sociais, onde a informação e a boato disputam as timelines da população. No dicionário, boato significa "notícia que corre publicamente de boca em boca, sem procedência e sem veracidade confirmada".
Como temos acesso a muita informação, por muitos meios e dispositivos, os boatos acabam se misturando a fatos reais e alimentam as conversas do dia a dia. Durante a interação social que ocorre no cotidiano (trabalho, escola, ônibus, família?), as pessoas se envolvem, discutem ou até repassam os boatos de forma consciente ou inconsciente. O boato também é resultante da informação incompleta ou distorcida e motiva o diálogo, tendo em vista que o ser humano projeta o futuro com base nas informações do passado e na vivência do presente. Muitos boatos fazem parte desta construção, tendo em vista que há rumores que persistem mesmo depois da publicação de fatos comprovados que os desmintam.
Os boatos sempre estiveram presentes na história da experiência humana, sendo divulgados e compartilhados pelos sistemas de comunicação vigentes em cada época, antes mesmo da existência das técnicas de "pombo correio", do telégrafo ou do "orelhão". Com a evolução do sistema de comunicação, os boatos ganham presença física nas "linhas do tempo" de cada usuário das redes sociais, se multiplicam em tempo real e são acompanhados por imagens, que "garantem certa veracidade ao fato".
Nas pesquisas de opinião, realizadas pelo IPO - Instituto Pesquisas de Opinião verifica-se que há pelo menos quatro tipos de comportamento social em relação aos boatos nas redes sociais:


  1. a) Os reticentes = Aqueles que não confiam nas informações das redes sociais. Avaliam que a maior parte das postagens das redes sociais não são verídicas, incluindo a postagem de usuários que criam cenários ou situações não reais para ostentar uma realidade que não existe cotidianamente.

  2. b) Os realistas = Usuários que filtram as informações de sua timeline. Confiam nas informações oriundas de fontes com credibilidade e descartam informações de páginas ou amigos duvidosos, exagerados ou vaidosos.

  3. c) Os maravilhados = Caracterizam-se por usuários "ingênuos" que acreditam em todas as informações disponibilizadas, sem prestar atenção na fonte ou na data da postagem.

  4. d) Os indiferentes = Tratam-se dos usuários que não se interessam pelas notícias ou acontecimentos da sociedade, muito menos sobre as informações que balizam a vida de autoridades ou de pessoas que não fazem parte do seu núcleo mais próximo.


Nesta era digital, portanto, é vital a consciência de que não podemos repassar informação ou notícias sem conferir a veracidade de suas fontes, tendo os seguintes cuidados:
- Ter a consciência de que os boatos existem;
- Ter a prática de confirmar/ checar a fonte/ buscar informação oficial;
- Ser reticente antes de passar adiante boatos ou notícias;
- Refletir o papel do boato em questão no contexto social e político em que ele se constitui, observando os diferentes atores que podem motivar o debate e os seus interesses escusos.
Conceder o benefício da dúvida aos boatos pode resultar na minimização do poder da mentira. Ser mais reticente a boatos pode resultar em bondade, em perspicácia, diminuindo o poder da malícia e da inveja. Na prática, quem não alimenta boatos contribui para a diminuição da ansiedade, do estresse e da depressão.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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