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Porto Alegre: uma jovem senhora de 245 anos

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A cidade onde nasci, cresci, brinquei de pegar e de esconde-esconde na infância, namorei e bailei na adolescência, amadureci na fase adulta, concebi e gerei a minha filha, vivi toda a minha existência e não pretendo deixá-la por nada, completou, no domingo, 26 de março, 245 anos. É uma jovem senhora, uma guria carinhosa, uma criança faceira, uma capital acolhedora, uma metrópole que se expande sem receber, do Executivo Municipal, um plano de desenvolvimento para que possa continuar a agradar, a encantar, a atrair e a conquistar novos habitantes. E assim, caminha para comemorar mais e mais aniversários sem resolver os problemas crônicos e decorrentes da ausência de uma política coerente de crescimento.

Apesar deste descaso e desrespeito das autoridades competentes, a cidade ainda conserva alguns recantos que resistem e insistem em permanecer no coração dos moradores de Porto Alegre e no imaginário dos turistas, que se enamoram do local ao conhecê-lo. Como o Brique da Redenção, que também não é mais tão novinho e soprou velinhas de 39 anos no domingo. Uma das mais tradicionais opções de lazer da capital, o Brique, na Avenida José Bonifácio, é passeio obrigatório nos domingos de sol, a receber com seus artesanatos, quadros, enfeites, panos e outros produtos. Ao se encontrar com a Rua Santana, o chão do lugar é ocupado pelas antiguidades. E na época de eleições, militantes e suas bandeiras alteram a paisagem do parque.

Mas Porto Alegre tem outros parques e praças a destacar seus cenários verdes que o concreto ainda não enterrou. Lembro o Parque Marinha do Brasil, o Moinhos de Vento, o Harmonia, o Chico Mendes e o Germânia para citar alguns. E entre as praças, declaro-me totalmente apaixonada por três. Uma na Rua Coronel Fernando Machado, quase esquina com a Rua General Auto, no hoje Centro Histórico, onde mamãe levava os quatro filhos para brincar no meio da tarde, lá pelo fim dos anos 60. Amo a Praça da Matriz, com nome pomposo de Praça Marechal Deodoro, local que também recebia visitas minhas, da mana e dos manos na infância. E não posso deixar de viver constantemente enamorada pela Praça da Alfândega, com a feira e seus livros e os prédios antigos, que abrigam museus e memoriais.

Como já recitou o poeta Mario Quintana, sinto uma dor infinita das ruas de Porto Alegre onde jamais passarei. São tantas vias ainda a conhecer. Mas gosto infinitamente das principais ruas do bairro Bom fim, que me acolhe durante 24 anos (com um intervalo de 11 anos em que voltei para a Rua Coronel Fernando Machado, que já me recebera antes na infância por nove anos, a partir do nascimento). Amo declaradamente e desmedidamente as árvores que se debruçam sobre a Rua Tomás Flores. Paquero a Rua Fernandes Vieira e seus edifícios com nomes de mulheres. Curto a sorveteria e os cafés da Rua Felipe Camarão. Enlouqueço com o movimento da Rua Garibaldi e fico desnorteada com a indecisão de rumos que me permite a Rua Doutor Barros Cassal.

Assim sigo encantada com a capital gaúcha. Mesmo com seus irritantes engarrafamentos, Porto Alegre ainda me cativa e me comove. Mesmo com suas filas enormes e deseducadas nos cinemas, bancos e restaurantes, Porto Alegre ainda me hipnotiza e sensibiliza. Mesmo com a falta de cumprimento de horário do transporte coletivo, Porto Alegre ainda me atrai e me enfeitiça. Mesmo com a constante onda de violência que assusta em todas as esquinas, Porto Alegre ainda me fascina e me seduz. Mesmo com a desumanidade exposta nos moradores de rua que multiplicam em todos os pontos, Porto Alegre ainda me envolve e me agrada.

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