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Moro, o Eliot Ness do Bananão?

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oOo Michel Temer conseguiu uma proeza: é pior presidente e poeta que Sarney. Tem, assim, um lugar garantido na História do Bananão.

oOo Os aliados do Temer se reduziram a duas pessoas, caso a Marcela não esteja pensando em divórcio.

oOo Não consigo confiar no Janot e no Luiz Fux. Alguém capaz de ostentar aqueles penteados deve ter problemas sérios. Aqueles penteados me parecem tão perigosos quanto o olhar psicótico do Cunha.

oOo O que os psicanalistas têm a dizer sobre Aécio Neves? Peão no jogo de xadrez da irmã, entre suas várias proezas não devemos esquecer que espancou uma mulher em público.

oOo Globo vs Folha de S. Paulo. O comentário de um leitor: dois carecas brigando por um pente.

oOo Num protesto, uns porra-loucas quebram umas vidraças e são chamados de baderneiros ou bandidos. Se derem mole, vão em cana e podem ser até acusados de terroristas – basta portar uma perigosa garrafa de Pinho Sol. Temer tem décadas de ladroagem e continua sendo chamado de presidente. É pouco? Tem jornais que o defendem, em troca de uns caraminguás, e empresários, em troca da volta da escravatura. Mais: todos dizem que vivemos numa democracia.

oOo O general Sérgio Etchegoyen disse que o Governo Federal não tolerará vandalismo. Ele se referia à quebra de vidraças, não aos roubos do Temer e do resto da quadrilha. Muito menos ao comportamento brucutu da polícia.

oOo No programa 60 minutes, da CBS, Sérgio Moro se comparou a Eliot Ness. Com certeza, ao Ness do cinema e de uma velha série de tevê. Porque o Ness real foi um fracasso, como quase todos. Pra começo de conversa, Al Capone pegou uma cadeia tipo Youssef e depois foi viver com o que acumulou em sua longa vida criminosa. Bom, nesse ponto a história de intocáveis e lavajatenses se parece.

Depois da lei seca, Ness foi pra Cleveland, Ohio, ser Diretor de Segurança Pública. Algumas proezas do herói: não conseguiu prender o Assassino do Tronco (considerado o primeiro serial killer americano), mandou incendiar favelas e fugiu de um acidente de carro que provocou, suspeita-se, por estar bêbado.

Mais tarde foi contratado como presidente da Diebold, uma empresa de sistemas de segurança. Logo foi despedido. Também concorreu à prefeitura de Cleveland e perdeu. Morreu no ostracismo e deprimido. Mas antes Eliot Ness escreveu um livro elogiando, pois é, Eliot Ness.

oOo Um dos problemas mais graves do Bananão é que muitos bananenses da gema acreditam que o EUA é como se vê no cinema.

oOo Se Moro houvesse se comparado ao senador McCarthy, grande perseguidor de esquerdistas, não seria mais adequado? De qualquer forma, McCarthy também acabou mal.

oOo Moro inocentou Cláudia Cruz. Disse que não há provas suficientes pra mostrar que havia dolo ao operar uma conta de mais de um milhão de dólares, de 2008 a 2014, com recursos oriundos dos trustees Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), que nunca foi declarada no imposto de renda, o que é crime, pois não?

Como ela pôde operar a bufunfa de 2008 a 2014 sem se perguntar de onde havia saído? Já sei: Moro sacou que foi espanto. Cláudia Cruz viu toda aquela bufunfa em sua conta e exclamou: “Então Papai Noel existe?! Eba!”. A prova de que o espanto foi imenso é que ela está com os olhos arregalados até hoje.

O procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima discorda. Atribui a interpretação dos fatos “ao coração generoso” do Moro.

E se essa bufunfa fosse da Marisa Letícia? Se a Marisa tivesse se pavoneado mundo afora, de butique em butique, ou tendo aulas de tênis? Se perguntar não ofende, vamos lá: Moro daria um jeito de ressuscitá-la pra poder botá-la em cana? A generosidade do coração do Moro tem um botão de liga e desliga?

Moro ainda garante que em apenas uma das tramas de Cunha há provas de corrupção. Seria necessário investigar mais. Por que não investigou, então, em todos esses meses? Tá muito ocupado com os pedalinhos? Ou a generosidade cardíaca também abrange o Cunha?

Se não fossem os suíços nem Cunha estava em cana. Alguém que eu conheço devia procurar emprego em Cleveland.

oOo Gostei da observação de um leitor do UOL, tal de Boréu: “Moro tem que explicar por que quer provar dois, três encontros de Lula com delatores. Afinal, Cláudia Cruz teve 3.650 encontros com Eduardo Cunha nos últimos dez anos e Moro disse que ela não sabia de nada”.

oOo No mesmo dia em que Moro livra a cara da Cláudia “Olhos Esbugalhados” Cruz que esbanja as propinas milionárias recebidas pelo marido, o ministro do STJ Nefi Cordeiro deu outro grande exemplo do funcionamento da justiça bananosa: negou recurso impetrado pela Defensoria Pública de São Paulo que queria libertar uma mãe de quatro crianças de 13, 10 e 3 anos, mais um bebê de um mês, que se encontra presa numa cela superlotada por ter cometido o crime hediondo de furtar uns ovos de Páscoa e um quilo de peito de frango de uma grande rede de supermercado. A pena? Três anos, dois meses e três dias.

Quem julga os julgadores? Quem vela o sono dos julgadores?

oOo Se a gente joga um ovo podre num juiz, promotor, político ou empresário corruptor? “A gente somos vândalos.” E no dia em que a gente se encher do Bananão e passar do ovo podre pra armas mais nobres?

Autor
Ernani Ssó se define como “o escritor que veio do frio”: nasceu em Bom Jesus, em 1953. Era agosto, nevava. Passou a infância ouvindo histórias e, aos 11 anos, leu seu primeiro livro sozinho:Robinson Crusoé. Em 1973, por querer ser escritor, entrou para a Faculdade de Jornalismo, que deixou um ano depois.  Em sua estréia, escreveu para O Quadrão (1974) e QI 14,(1975), publicações de humor. Foi várias vezes premiado. Desenvolve projetos literários para adultos e crianças.