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Picles do Bananão

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oOo Deu no Jornal GGN: “Em meio a uma crise econômica que não dá sinais de retroceder, com um desemprego que ultrapassa a marca das 14 milhões de pessoas, os bancos privados registraram aumentos em seus lucros no primeiro trimestre deste ano. No último dia 3, o Itaú anunciou que seu lucro recorrente entre janeiro a março de 2017 chegou a R$ 6,176 bilhões, um aumento de 6,2% na comparação com o trimestre anterior e de 19,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado”.

Admirável mundo novo: o Bananão no fundo do poço e os que não produzem porra nenhuma faturam alto, à custa do trabalho dos otários como eu. E a grande corrupção, a mãe de todas, nem é considerada corrupção.

oOo Saiu nas folhas: “Com uma intenção de voto concentrada em jovens instruídos e de maior renda, Bolsonaro se favorece da imagem de ‘outsider’ com baixa rejeição (23%) e do fato de que o Datafolha já registrava em 2014 uma tendência conservadora no eleitorado”.

Pequena dúvida: você é instruído se vota no Bolsonaro?

oOo De “Tucanaram a prisão”, na revista Brasileiros. Maria Carolina Trevisan entrevista o jurista e professor de Direito Econômico Gilberto Bercovici.

Maria Carolina Trevisan: O senhor considera que, ainda assim, a Lava Jato é importante?

Gilberto Bercovici: Olha, não vamos criar mitos. Lógico, ninguém defende a corrupção, o combate à corrupção é permanente. Só que, desculpa, eu não acredito em combate à corrupção que não mexe ou que não chega perto de duas das maiores fontes de corrupção: os tribunais de contas e o próprio Poder Judiciário. É impossível o sujeito desviar milhões sem um banco perceber, sem os órgãos controladores das contas perceberem. O Ministério Público e o Judiciário têm acesso aos dados, à movimentação. Como é que se transfere esse dinheiro? Não pode carregar R$ 100 milhões em uma mala. “Ah, mas a transferência é lá fora.” Sim. Mas alguém está vendo. Os bancos estão vendo e até agora é como se não fosse com eles. Você não consegue fazer nada sem o banco, os órgãos de controle. Não dá para levar a sério (uma megaoperação contra a corrupção) se você não combate quem é conivente. Porque quem lava dinheiro é banco, quem faz transferência é banco, quem permite que altas somas se desloquem de uma conta para outra é banco.

oOo Doria é o Menino Malufinho, segundo o ótimo jornalista Joaquim de Carvalho. Elio Gaspari acertou uma, pra variar: notou o sorriso Curinga, vide Jack Nicholson, do prefeito de São Paulo.

Não é raro ver cara e coração, ou falta de coração. Não é uma questão de validar Lombroso, nessas alturas do apocalipse. É simples: tem caras que são incapazes de dissimular a podridão que fermentam no interior.

Gerdau disse, sobre uma possível candidatura desse replicante: “É o que temos”. Ora, ora, um super-rico se resignando com a indigência de seus quadros. Como o Gerdau e outros do tipo dormem, hein?

oOo Marcelo Auler: “Em novembro, a procuradora Mariane Josviak instaurou o procedimento PROMO no 002313.2016.09.000/2, que tem como objetivo apurar notícias que lhe chegaram de situações dentro da Superintendência da Polícia Federal do Paraná que, em tese, caracterizariam assédio moral. A decisão teve por base noticiário do Sindicato e da Federação dos Policiais Federais, notadamente sobre casos de suicídios que se repetem entre Policiais Federais. De 1999 a 2003 foram oito casos; de 2005 a 2009, 10: entre 2010 e 2014, 22 ocorrências e mais quatro em 2014/5”.

Não me lembro de ter lido que um, repito, um agente da polícia federal tenha sido morto por um criminoso. Também não me lembro de ter notícia do alto índice de suicídios de policiais federais. Pra completar: que outra profissão leva tanta gente a se matar?

Dá pra imaginar a frustração dos agentes. Investigam e depois não dá em nada, ou, como no caso do banqueiro Daniel Dantas, o investigador é que sai culpado. Um dos exemplos que Auler dá do estresse são as ordens pra atos ilegais, como escutas em banheiros de presos. Aí, quando a coisa estoura, os que ordenaram tiram o corpo fora e o subordinado se fode.

Alguém pode me dizer quantos senadores se mataram nas últimas décadas? Ou séculos. Quantos deputados? Quantos juízes do Tribunal de Contas, do Tribunal Eleitoral e do Supremo?

Em tempo: quantos jornalistas da grande imprensa se mataram? E quantos publicitários?

Autor
Ernani Ssó se define como “o escritor que veio do frio”: nasceu em Bom Jesus, em 1953. Era agosto, nevava. Passou a infância ouvindo histórias e, aos 11 anos, leu seu primeiro livro sozinho:Robinson Crusoé. Em 1973, por querer ser escritor, entrou para a Faculdade de Jornalismo, que deixou um ano depois.  Em sua estréia, escreveu para O Quadrão (1974) e QI 14,(1975), publicações de humor. Foi várias vezes premiado. Desenvolve projetos literários para adultos e crianças.