Junho, o mês das datas especiais

Junho é realmente um mês muito especial no calendário do ano. Não somente porque é quando se comemora o meu aniversário (sim, eu troco …

Junho é realmente um mês muito especial no calendário do ano. Não somente porque é quando se comemora o meu aniversário (sim, eu troco de idade no dia 9 de junho, vai que você se esqueceu de me parabenizar, ainda está em tempo). Nem porque é quando o meu querido amado e idolatrado Chico Buarque faz aniversário (me aguarde que vou comemorar contigo os 73 anos no dia 19 amor dos olhos cor de ardósia). Mas porque é o período oficial das festas juninas, das bandeirolas coloridas, das marchinhas de São João e Santo Antônio, de pular a fogueira, do pinhão, do quentão fumegante, da rapadura de leite, do pé de moleque, da pipoca, do casamento na roça.
Sou muito apaixonada pela beleza das festas que ocorrem no mês de junho. Adoro todas as crenças que envolvem os dois santos mais conhecidos: João e Antônio. Sou totalmente fã dos festejos que acontecem no sexto mês do ano. Idolatro toda a magia que existe na preparação das festas, a de Santo Antônio, no dia 13, e a de São João, no dia 24. Sou declaradamente cativada pelas brincadeiras juninas. Gosto demais das barracas de pescaria, de acertar as argolas, a bola no alvo, a corrida de sacos e do milho, o correio elegante, colocar o rabo no burro, a boca do palhaço, o casamento na roça, as rifas e seus brindes insignificantes, que enchem os olhos das crianças.
Vizinha do Colégio Rosário desde 2002 e com a filha Gabriela estudando lá até o penúltimo ano do Ensino Médio, não perdia, por nadinha neste mundo, as festas juninas da escola. Nem tinha como ignorar os festejos porque o barulho das canções e das atrações musicais invadia o meu apartamento e me empurrava para o pátio do Rosário. Na escola, além de curtir as apresentações da filha, quando pequena, interagia com as professoras e com as mães dos colegas e das colegas da Gabriela. Gastava meu suado dinheirinho na compra dos tíquetes para comer as guloseimas da festa e participar das brincadeiras. Só no final da tarde, abandonava a cena da folia.
Mesmo depois que a filha saiu do colégio, nós duas continuávamos a participar da festa junina do Rosário. Sem nenhum tipo de planejamento, íamos todo o ano, experimentar as comidas, fazer farra em algumas barracas e ver quais as atrações musicais do evento. Este ano, infelizmente, perdi o festejo. Estava na casa do meu mano, em Butiá, e não pude comparecer nas homenagens ao São João. Quando retornei para Porto Alegre, o primeiro assunto que comentei com a minha filha foi a minha ausência na festa do Rosário. É evidente que eu cancelaria minha ida a Butiá se soubesse com antecedência da data.
Sobre tais festas, tenho ainda duas lembranças especiais. Os pais totalmente envolvidos na preparação das festas juninas da creche frequentada pela minha filha, na Rua Fernando Machado, na época denominada "Mundo da Criança". Todo o festejo era organizado pelos pais e mães dos pimpolhos e pimpolhas. Os alunos, alunas e as "tias" da creche eram convidadas especiais do evento. E o frei da Paróquia Santo Antônio do Partenon, que sempre na semana da festa, entrava na Redação do Correio do Povo com a sua farta distribuição do pãozinho milagroso que, segundo a repórter Mônica, era derradeiro remédio para ajudar nos casamentos.
E agora, vamos todos pular a fogueira Iaiá. Vamos pular a fogueira Ioiô, cuidado para não se queimar, olha que a fogueira já queimou o meu amor.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editoriais de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em antologias, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e segunda secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA). Tem o blog marcinhaprodigio.blogspot.com. É mãe da Gabriela e avó do canino shih tzu Dalai.

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