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O smartphone amplia o individualismo – parte 1

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A vida mudou muito desde que o smartphone apareceu! A relação com a tela multi-touch ficou tão íntima que a maioria das pessoas esquece que o primeiro smartphone foi lançado pela Apple em 2007 e, apenas em 2013, os smartphones superaram em vendas os celulares tradicionais.

Para muitos, é impensável viver sem o celular, não lembrando que esta relação tem menos que meia década. O smartphone é muito mais que um telefone, tornou-se parte indissociável de muitas pessoas, pois integra e facilita o dia a dia oferecendo várias facilidades. Entre elas:

– Colocar as pessoas em contato permanente com amigos, familiares, incluindo os grupos intermináveis de WhatsApp;

– Fornecer música, jogos, vídeos e bate-papos: sendo um ótimo companheiro contra o tédio;

– Facilitar pesquisas em tempo real: ‘conecta as pessoas com o mundo’ e com o conhecimento;

– Tornou-se uma ferramenta fantástica para deslocamento. Os GPS abrem mapas de navegação, indicando até a existência de radares de fiscalização. Para a maioria dos motoristas não dá para pensar o deslocamento para novos destinos sem o GPS, sem mapas digitais!

– Tem ótimas câmeras de fotos e vídeos, que permitem o registro de todos os grandes momentos ou acontecimentos do cotidiano.

Esta é uma pequena lista dos benefícios que o smartphone, aliado com a internet, proporcionaram à sociedade em poucos anos de existência. É importante observar que o smartphone criou um marco de mudanças comportamentais e está desenvolvendo novos paradigmas de relacionamento.

E quando há novos paradigmas em curso é vital nos ‘desconectarmos’ um pouco de práticas individualistas – do ‘eu’ e o ‘smartphone’ – que tendem a ativar o egoísmo humano e ampliar novos distúrbios sociais, a fim de fazermos uma reflexão e um debate sobre os malefícios do smartphone.

Temos que ter a consciência de que estamos disputando os momentos do dia a dia entre as várias telas (desk, tablet, notebook, smartphone, smart TV e TV) e a realidade, criando e estimulando cenários que desmotivam a interação social, o ‘olho no olho’ e que ampliam o individualismo, podendo ser observados em exemplos cotidianos:

– Casal de namorados jantando em um restaurante: cada um conectado com o seu celular e os momentos de interação são para os registros fotográficos que serão postados logo em seguida;

– Convidados que entram em uma festa de aniversário de um amigo comum e não interagem entre si. Durante o evento, passam a festa conectados ao seu celular e desconectados da possibilidade de fazer novas amizades reais;

– Pessoas embarcam e desembarcam de transportes coletivos sem perceber quem ‘subiu e/ou desceu’, ‘não olham’ o trajeto e, tampouco, falam sobre o ‘tempo’ com cobrador.

‘Ninguém mais tem tempo’, pois o tempo disponível está sendo ocupado com o celular. O tempo não disponível também está sendo ocupado com o celular, criando o fenômeno da distração digital. Neste contexto, o celular intensifica o individualismo fazendo com que a capacidade de relacionamento social fique prejudicada. Quanto menor for o relacionamento social maior será a apatia social, que é agravada por todo o contexto político e econômico do País.