A personalidade de pessoas inquietas

Por Grazi Araujo

Sim, já me disseram que é preciso parar de ser tão agitada, mesmo que por alguns instantes. Meu pequeno me apresentou a meditação, a importância de respirar fundo, de esvaziar a mente naqueles minutos que uma voz doce e lenta te acalma - ou tenta, pelo menos. Impressionante como funciona para ele adormecer, bastam cinco minutos e pluft, o guri pega no sono. No aplicativo, tem opções de 10, 20 ou 30 minutos de meditação, a gente que escolhe. Confesso que quando escolhi o de 20, logo que passou dos 10 eu já estava pensando em tudo que tinha a fazer quando acabasse aquele momento tão atípico do dia. Mas penso que é uma questão de evolução e mais do que necessária para dar uma "regulada na lenta". Ainda sobre a respiração mais concentrada, vocês já tentaram? O relógio - que tem mil e uma utilidades -, me chama a atenção diariamente para tal função. Só falta ele dar um choque para fazer eu realmente tornar isso um hábito.

Mas sabe, sinceramente, é difícil parar. Essa inquietude de ser vicia a gente. Mesmo sabendo dos benefícios do ócio, a adrenalina das infinitas tarefas do dia a dia é sedutora. Cabeça de mãe já é mais movimentada do que o normal e quando fica em cima do pescoço de uma pessoa ligada em 220V, o sossego tem medo de chegar. Há momentos - raros - em que tudo se acalma e o cérebro te cobra: - psiu, que parou aí? Não está esquecendo nada, não? E logo já vem uma culpa misturada com a ansiedade de dar conta de tudo.

Essa inquietude desafia a fazer as coisas darem certo. Mesmo sabendo dos benefícios de planejar, ponderar e pensar melhor, eu ainda prefiro o frio da barriga do "a tempo e a hora", do agora, do não deixar para depois. Até porque depois esfria (não me venha com café morno), esquece, perde a graça do momento. Riscos? Eles estão no pacote, mas a autoconfiança não permite alimentar esse medo.

É muito pessoal gostar de ser assim, peculiar, pode-se dizer. Incomoda um povo aí, mas agrada tantos outros. É tão bom se desafiar e ser inquieto. Não aceitar a mesmice, saber desenrolar a corda do pescoço para não perder o ar, valorizar os neurônios que ainda te ajudam a pensar além. O combustível da mente de pessoas assim são os resultados positivos de cada ação realizada com dedicação, coração, comprometimento unidos com uma corrida maluca contra o tempo e com a vontade de provar que somos sempre capazes de nos superar.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. Atualmente é chefe de Comunicação Social na Casa Civil do Rio Grande do Sul. Também responde pela Comunicação Social da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Tem o site www.graziaraujo.com.

Comments