A rejeição aos partidos estimula a rejeição à política

Quando se questiona a confiança nos partidos, os gaúchos são unânimes: 97% não confiam nos partidos! Quando a pergunta é sobre a rejeição a algum partido, os gaúchos se dividem: metade da população rejeita especificadamente algum partido político e a outra metade não rejeita.

Analisando a relação entre a intenção de voto em diferentes candidatos com a rejeição partidária, o mesmo fenômeno se mantém: metade dos eleitores de cada um dos principais candidatos ao governo do Rio Grande do Sul rejeita algum partido político.

Significa dizer que a rejeição aos partidos adentrou na cultura política dos gaúchos e está presente na posição dos eleitores de diferentes candidatos. Este cenário favorece o ciclo vicioso das campanhas personalistas, estimulando os candidatos a diminuir ou ocultar as siglas partidárias de seu material publicitário.

Diante do conhecimento de que a maioria não confia e metade rejeita os partidos políticos a questão a saber é: os gaúchos conhecem os ideais, as propostas dos atuais partidos? Na percepção dos gaúchos, estes ideais se diferenciam?

Os resultados da pesquisa realizada pelo IPO - Instituto Pesquisas de Opinião, em setembro de 2017, indicam que:

- 71,9% não conhecem os ideais dos atuais partidos;

- 19,7% conhecem os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam todos iguais;

- 8,4% conhecem os ideais dos atuais partidos e considera que eles sejam diferentes.

De um lado, a descrença em relação aos partidos está associada aos contínuos escândalos de corrupção e a ideia de que os partidos são compostos por pessoas que visam a interesses e vantagens pessoais. De outro lado, o principal dilema dos partidos políticos está associado ao desconhecimento de seus ideais ou propostas: os partidos são todos iguais! É vital que os partidos revisitem seus ideais, seus propósitos e, principalmente, revejam a sua relação com a sociedade e com os eleitores. Para resgatar a crença na política é necessário restabelecer uma confiança mínima nos partidos.

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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