Ah, essas pesquisas!

Por Flávio Dutra

Com frequência, meus perfis nas redes sociais são infestados por pesquisas ditas científicas. Nesta era de fakenews, desconfio de tudo, sobretudo das pesquisas eleitorais e, mais ainda, daquelas que tratam de temas comportamentais. Exemplo recente é a que chegou à conclusão de que as mulheres mais jovens preferem os homens mais velhos, repetida à exaustão no Twitter. Os veteranos mais assanhados aproveitaram para se vangloriar de façanhas inexistentes com moçoilas ou torcer para que isso se confirme no futuro, o que vai ocorrer com a mesma probabilidade de que eu ganhe a Megasena da virada - nenhuma!

Aos desavisados, informo que, na verdade, nem se trata de pesquisa, mas de uma plataforma que conecta mulheres jovens com homens maduros. Uma espécie de Tinder da terceira idade. Não é estudo acadêmico, é negócio e parece promissor. Desde já antecipo: eu fora.

A criadora da plataforma - sim, é mulher - explica a atração das jovens pelos homens mais velhos: elas procuram segurança. Sem me posicionar para não ser alvo de patrulhamento indevido, reproduzo literalmente a explicação: "Os homens mais velhos têm uma aura de experiência, sabem o que querem e têm a quantidade certa de domínio que as mulheres mais jovens estão procurando - especialmente quando se trata de sexo. As mulheres jovens podem realmente explorar sua feminilidade pela primeira vez com homens mais velhos (...). Por outro lado, os homens maduros podem recuperar um pouco de sua juventude e se sentir como o protetor". Repito, eu fora.

Mais explicações ainda necessitaria a pesquisa que aponta uma série de nomes de homens ruins de cama. Também estou fora dessa, pois meu nome não consta da lista, o que condiz com a realidade. Manifesto minha solidariedade aos 20 nomes listados, alguns de amigos e de parentes próximos, que não reproduzirei para evitar constrangimentos. Mesmo "beneficiado" pela omissão do nome Flávio (se o nome aparecesse, aí mesmo é que a pesquisa não teria credibilidade), dou pouco ou nenhum crédito à inusitada pesquisa, que teria sido realizada pela Universidade de Campinas, Unicamp. Consta que os pesquisadores da Unicamp foram às ruas e perguntaram às mulheres qual o nome do sujeito com a qual tiveram a pior experiência sexual, e alguns nomes se repetiram mais do que os outros. Daí surgiu a fatídica lista de 20 nomes.

A ser verdade que a Unicamp usou recursos públicos para essa pesquisa, vou dar razão ao Bolsonaro quando anuncia cortes nas pesquisas acadêmicas.

Pois é, fui cornetear a Unicamp e já me questionava se a coluna não estava muito erotizada, quando me deparei com a matéria da revista digital Donna, com o sugestivo título "Por que os adultos estão transando cada vez menos", baseada em pesquisa do acatado Jornal Britânico de Medicina. Uma das causas constatadas seria a atenção demasiada que temos dado às redes sociais em detrimento dos jogos da cama.  Ou seja, muita rede e pouco enrosco. O restante confiram lá na matéria, que é mais uma a revelar a verdadeira obsessão atual pela temática do sexo, inclusive no meio acadêmico. Reveladora ainda da preferência pelo sexo oral, mais falado do que praticado. (Desculpem, não resisti ao jogo de palavras)

A propósito de pesquisas, começam a surgir as que mostram o potencial de candidaturas à Prefeitura de Porto Alegre. Os resultados publicados, inflando os percentuais de nomes altamente rejeitados, me levam a uma afirmativa categórica: isso, sim, é obscenidade!

Autor
Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Ufrgs, com especialização em Jornalismo Empresarial e em Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas politicas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado, da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros 'Crônicas da Mesa ao Lado' e 'A Maldição de Eros e outras histórias', integrou a coletânea 'DezMiolados' e foi coautor com Indaiá Dillenburg de 'Dueto a dois é sempre melhor'.

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