Bugigangas freudianas

Por Fraga

Ontem, dia 6 de maio, o mundo celebrou 163 anos de nascimento do pai da psicanálise. Se não tivesse nascido, de que falariam nos consultórios?

 

Freud demorou a teorizar sobre a libido, embora a libidinagem já fosse há séculos praticada.

Instinto que sempre gozou de popularidade na cama, a libido só obteve notoriedade no divã.

O envolvimento íntimo entre as pessoas só é possível porque a libido não produz anticorpos.

Libido, cada um tem a sua. Quando juntam duas, suam.

Quando um angustiado morre, suas úlceras são enterradas vivas.

Mal do século, impacto da década, desastre do ano, escândalo da semana. Tudo se esvai diante da angústia do momento.

Sexo consensual é ótimo, e com sensual melhor ainda.

O sexo mais apropriado para evitar filhos é transar quando eles não estão em casa.

Acreditem: existem muito mais posições para praticar abstinência do que para fazer sexo. Mexam-se.

O sexo pode levar parceiros à loucura, sobretudo quando um dos dois não está a fim.

Sexo entre pessoas que se amam acontece seguidamente. Mas sexo entre pessoas que deixaram de se gostar é muito mais frequente.

Aquele manual de sexo para pessoas eternamente sofredoras, o Karma Sutra.

Assédio sexual: tem muito mais no casamento que fora dele.

Quem pergunta a orientação sexual dos outros é um desnorteado no assunto.

Abstinência sexual afeta até a decoração de interiores: faz da cama um móvel indesejado.

Ejaculador precoce não se contém nem na masturbação: ele goza de antemão.

A masturbação nada mais é do que o modo mais excitante de se pensar nos outros.

Quem se masturba contra a vontade pode acabar processado por assédio sexual.

Cabem muitas fantasias em cima de um carro alegórico, embora não tantas quanto sobre um divã.

Tem machão que, ao ouvir a teoria de Freud sobre a inveja do pênis, acha que estão falando do dele.

Inveja geralmente é um iceberg, da qual a maioria admite sentir uma pontinha.

A inveja é quando a admiração ou a indiferença são incompetentes.

A franqueza põe tudo em pratos limpos; o ressentimento guarda a louça suja.

A raiva deve ser fonte de vitaminas e sais minerais. Ou os raivosos não seriam sempre os mais fortes.

O problema de se alimentar o ódio é que ele não gosta de sucrilhos. Sua ração básica é carne humana.

Me perguntam qual a diferença entre ódio virtual e ódio real. O real tem muito menos seguidores.

Desespero é justo com a morte. Desesperança é injusto com a vida.

Crise existencial é uma péssima experiência. Mas enquanto há crise, há existência.

 

Autor
Fraga. Jornalista e humorista, editor de antologias e curador de exposições de humor. Colunista do jornal Extra Classe.

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