De tudo um pouco e eu quero muito mais

Depois de um mês exato de ausência para ajustes do portal (juro que não lhes abandonei leitores e leitoras), optei por escrever sobre fatos isolados e não usar na coluna de retorno um tema único. Talvez para não lhes cansar sobre os meus assuntos preferidos e recorrentes, que são as emoções do cotidiano de uma mulher sozinha por opção, feminista, mãe e avó dedicada e jornalista com mais de 50 anos à procura de freelancer, travessuras do neto canino shih tzu que atende pelo nome de Dalai e de alguma novidade da minha filha Gabriela, que hoje com quase 23 anos, nem sempre aprova minhas confidências. A coluna da volta será uma mistura de tópicos porque como ensina a música ?Muito pouco?, do Paulinho Moska, interpretada pela divina Maria Rita: "Muito pra mim é tão pouco e pouco eu não quero mais".

Nestas minhas férias compulsórias, tudo o que não tive de jeito nenhum foi descanso. Pois o neto canino, que nem é tão velho assim (completa 10 anos em dezembro, é mais um sagitariano na minha vida junto com minha filha que também é deste signo), adquiriu uma hérnia de disco e está em tratamento severo, que incluiu uma quantidade assustadora de doses e gotas de remédios e sessões de fisioterapia e acupuntura. O resultado da doença repentina do Dalai é que ele não pode mais subir no seu pufe preferido, nem mais pular no sofá para servir de travesseiro para a sua avó (no caso esta que vos escreve). E além de tudo, ele caminha cansado e, por vezes, tropeça e reclama muito de dor quando o pego no colo para levá-lo às sessões de fisio e acupuntura.

Entre um cuidado e outro com o Dalai, participei das comemorações de 75 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors), do qual integro, com muita honra, a diretoria. Foram vários eventos - não exatamente classificados como festejos uma vez que estamos às vésperas de perder direitos duramente conquistados com a entrada em vigor da reforma trabalhista em 13 de novembro - e todos eles pensados em oferecer cultura e um pouco de confraternização para a categoria. Mas destaco a 2ª Jornada Literária, com parabéns para os jornalistas Paulo Mendes, Alexandre Lucchese, Renato Dornelles, Claudia Coutinho, Jones Lopes e Léo Gerchmann. Foi bom demais ouvir os relatos deles sobre suas obras literárias.

Mas os 75 anos do Sindjors foram lembrados, também, com um jantar por adesão no bar Tutti Giorni, encravado na escadaria da Borges de Medeiros, no sábado, 23 de setembro, com uma paella tradicional e vegetariana, sorteio de livros e samba do bom e do melhor. Na semana seguinte, o sindicato, que tem sido atuante na luta pela liberdade de imprensa e de expressão e na volta do diploma, teve, ainda, um Grande Expediente na Assembleia Legislativa, proposto pelo deputado Valdeci Oliveira (PT), a Exposição Fotojornalismo: 75 anos do Sindjors, no Solar dos Câmara, e um debate sobre ?Fake News: a antiética na comunicação?,  com as presenças de Alexandre Elmi, Vera Daisy Barcellos e Marcos Rolim, ambos na Assembleia.

No decorrer destes 30 dias, os funcionários estaduais do Rio Grande do Sul continuam a receber parcelado, embora lhes seja exigido o trabalho integral sob o risco de corte de ponto, o presidente golpista permanece no cargo embora acumule denúncias de envolvimento em mil maracutaias (cada vez mais eu me convenço que o impeachment da Dilma Rousseff foi machista e misógino), e os secretários do prefeito Nelson Marchezan Júnior, volta e meia, sem nenhuma explicação, decidem abandonar suas pastas. Algumas coisas, na minha humilde concepção, são de um entendimento complicado, como um jornal que é para ouvir e uma rádio que é  para ler. Sei lá.

Aproveito para saudar os novos colunistas e a nova colunista do portal, que, a partir desta semana, passam a contribuir com seus pensamentos no Coletiva.net: Cesar Paz, Cris De Luca, Marino Boeira e Roger Lerina. Que vocês sejam tão felizes como eu tenho sido, com plena liberdade e respeito, nestes anos de colunista do site.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editoriais de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em antologias, diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e segunda secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA). Tem o blog marcinhaprodigio.blogspot.com. É mãe da Gabriela e avó do canino shih tzu Dalai.

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