Nada se cria, tudo se copia, até comportamentos

Já que, na semana passada, abriu-se um portal para falar de marketing de influência, vamos continuar no mesmo clima por aqui. Muitas pessoas ainda estranham a presença de influenciadores (leia-se criadores de conteúdo) e microinfluenciadores, mas, se pararmos para analisar, eles sempre existiram, mesmo quando as redes sociais digitais não estavam por este mundo, só não tinham essa nomenclatura e, normalmente, não se ganhava dinheiro com isso. E a presença destes profissionais no mercado só tende a aumentar, já que temos por essência copiar comportamentos.

Somos influenciados, basicamente, desde que somos concebidos, afinal, o comportamento das nossas mães interfere diretamente no nosso desenvolvimento. Agora eu fui longe, né? Mas observem uma criança de dois, três anos. Quase tudo que ela faz é copiar o que os outros fazem e assim vai aprendendo. Se o pai ou a mãe estiver comendo algo, ela vai querer também, afinal, se eles estão comendo aquilo, deve ser algo bom. Um adolescente é fortemente influenciado pelo seu grupo. "Todo mundo tem, menos eu". E aí, os pais cortam essa influência na raiz: "tu não é todo mundo". Quem nunca escutou essa?

Faz tempo que a gente não escolhe mais nada por conta própria. O nosso primeiro contato com produtos e serviços deixou de ser nos pontos de venda. Ele passa antes pelo Google, pelos grupos de Whatsapp (quem nunca pediu dica de médico para os amigos), pelas recomendações do Facebook, pela opinião de pessoas que nem conhecemos nas fanpages, no Trip Advisor, no Airbnb, nas estrelas dos motoristas da Cabify, da Uber, da 99. E por aí vai. Ou seja, qualquer pessoa pode ser um influenciador em potencial. Por isso, volto a dizer: quem estabelece se tu és ou não um deles é o meio.

Já fiz alguns testes com algumas pessoas que se autodenominam digital influencer para ver até que ponto o engajamento dos seus seguidores, a produção do seu conteúdo, dá retorno para o cliente. Na verdade, faço isso todos os dias. E, assim, os mailings para ações futuras das marcas com as quais eu trabalho vão mudando gradualmente. Algumas vezes até dou uns toques para alguns por acreditar no potencial. É interessante um buzz positivo nas redes sociais para a construção das imagens das organizações. Mas não dá para esquecer que essa exposição tem que gerar negócio para o cliente. Por isso, é mais que necessário avaliar o conteúdo gerado por esses profissionais.

Sim, gente. Um influenciador é um profissional, por incrível que pareça. Nem todos, eu sei. Mas em grande parte, eles trabalham com criação de conteúdo para marcas de forma paga. Por isso, acho interessante que esses cursos para formação de influenciadores (confesso que fico com o pé atrás sempre) trabalhem, principalmente, ensinando esse povo a fazer conteúdo original e autêntico, a saber entender o que a marca pretende quando envia algum produto para experimentação ou contrata seus serviços, a analisar o que seu público quer receber. Porque conteúdo tem de monte, basta usar qualquer ferramenta de busca, o que conta hoje é a curadoria. Ah! E não esqueçam que o comportamento fora das redes sociais também conta muito! Por isso, não pensem em volume e quantidade de seguidores. Foquem em engajamento e qualidade. Como em tudo na vida!

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações públicas. Há 15 anos, atua em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Possui experiência no atendimento de clientes, públicos e privados, das áreas de educação, moda, gastronomia, entretenimento, música, varejo, construção civil, setor moveleiro, automobilístico e instituições financeiras. Tem passagens pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, e, na área cultural, fez a divulgação de mais de 30 shows nacionais e internacionais na capital gaúcha. Atualmente, é Gerente de Atendimento na CDN Sul e integra a diretoria da ABRP RS/SC.

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