Não me vem com coisa chata. Vamos espancar isso daí

Talvez um dos melhores elogios que eu recebi na vida foi o de "mente inquieta". Vilson Noer, um dos gurus do varejo gaúcho, sempre que pode, lembra-me que essa característica é o que o encanta. Junto a isso, eu tenho procurado contribuir para que o Jornalismo não seja sempre tão sisudo, com estatísticas, números, projeções. Eles são necessários, é claro, mas podem ser deixados de lado em alguns instantes. Também não tem mais tanta graça naquelas declarações ou frases que, com umas aspas, pode ter sido dita por qualquer dirigente. O que estamos acostumados é isso, com mais do mesmo. E sair dessa zona de conforto não é tarefa fácil, nem para os assessores nem para quem recebe as sugestões do outro lado. Tem uma série de coisas envolvidas, desde a tradição até mesmo o medo da mudança.

Nessas últimas semanas, tive experiências bem legais, que mexeram com a tal mente sem paradeiro e me desafiaram a pensar fora da caixa. Quem me permitiu isso - e como ela mesma diz, espancou a pauta comigo, foi a baita jornalista Giane Guerra (que inspirou o título deste texto). Amigas-amigas, negócios a parte, conseguimos separar (muito melhor do que eu imaginava) o trabalho da amizade. Tudo que eu falar a respeito dela vou ser suspeita, porque sou fã declarada por uma infinidade de fatores. Um dos que mais me faz admirá-la é, com todo o perdão da expressão, que ela tem culhão. Para dizer o que interessa, o que quer e o que não rola nem no pé da agenda. Isso faz de nós, assessores, nos sacudirmos da cadeira e pegar um café para espairecer e na volta tentar criar coisas diferentes.

Então, conseguimos encontrar palavras nas declarações de dirigentes que, mesmo ditas informalmente, saem da mesmice. Convencê-los a permitir a publicação é outra coisa, que rende um novo texto. Mas com jeitinho e confiança, dá. Pautas que para alguns, podem ser interpretadas como bobice ou tiro no pé, podem conseguir um alcance inimaginável neste nosso mundo de redes sociais. A marca envolvida está lá, as aspas do gestor também e a curiosidade do diferente encanta os leitores, os jornalistas, os clientes e tudo parece fluir e conspirar a favor.

Dá frio na barriga, dá medo de arriscar no diferente, dá dúvidas de apresentar para o cliente, não vou negar. Mas também dá vontade de ver no que vai render, de confiar no instinto e matar no peito e de contar para todo mundo que vale a pena o desafio diário de inventarmos moda. 

 

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. É a responsável pela Comunicação Social do IPE, da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Atuou ainda na comunicação da Martins + Andrade, Uffizi, CDL Porto Alegre, Palácio Piratini e Assembleia Legislativa. Tem o site www.graziaraujo.com.

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