O marrom que colore meus dias

Racismo é a pauta da vez, mesmo nunca deixando de ser. Eu, como mãe de um menino lindo, fruto de um casal interracial, acabo, cada vez mais, me interessando sobre o assunto. Nem preciso falar da indignação do caso com a Titi (filha da Giovanna Ewbank e do Bruno Gagliasso) e do quanto a palestra "Como criar crianças doces num país ácido", da Taís Araujo, me fez enxergar um mundo que, até pouco tempo atrás, não me pertencia. Talvez eu ainda não fale - e pode ser que nunca consiga de fato - dissertar com propriedade este assunto. O não ser racista não significa, necessariamente, entender sobre isso.

Dia desses, para meu orgulho, meu pequeno foi selecionado para compor o elenco do comercial do Grupo RBS, casualmente lançado hoje (e lindo demais!). No dia da gravação, a cena dele era descrita como "família", todos negros. Amando ver o pequeno gravar, comentei com uma das pessoas da produção que poderiam começar a fazer comerciais também com famílias reais, como a minha, por exemplo. Somos um negro, uma branca e um "sarará" com covinhas encantadoras. Ela me olhou, pensou e me deu toda razão. Somos a cara de muita gente aí fora. Não somos diferentes por dentro, mesmo sendo no tom da pele. É isso que algumas pessoas ainda precisam entender.

Outra grata surpresa que ser mãe do Vitor me proporcionou foi durante uma reunião de pais, na escolinha. Na emoção da despedida (ele vai para o 1º ano), agradeci à direção por, entre outras coisas, nunca ter permitido qualquer discriminação ao meu pequeno. Foi então que a mãe de um coleguinha contou uma das histórias mais emocionantes de uma mãe ouvir: "Meu filho chegou um dia contando que queria ser marrom, contando que tinha um novo amigo e que ele era muito bonito. Ele chorou um dia no banho, pois não queria mais o cabelo liso, e sim aqueles cachinhos que o Vitor ostentava (com bastante creme e gel para ficar mais enroladinho ainda!). Na praia, ao passar o protetor, ele disse que queria ficar marrom, para ser tão lindo quanto o Vi. Depois, quando conheci ele, consegui entender o porquê de tudo isso". - Uma pausa para enxugar uma lágrima que correu aqui.

Eu tenho orgulho disso tudo. Eu nunca olhei para pessoas negras com qualquer tipo de preconceito. Talvez por isso Deus tenha me presenteado com esses dois meninos marrons que me fazem cada dia uma mulher e mãe mais feliz.

O meu texto de hoje tem muita sinceridade, muito sentimento e a certeza que podemos criar pessoas melhores para o amanhã. "Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra. Haile Selassie".

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, e Pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM. Atualmente cursa MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada. É a responsável pela Comunicação Social do IPERGS. Atuou ainda na comunicação da Martins + Andrade, Uffizi, CDL Porto Alegre, Centro, Palácio Piratini e Assembleia Legislativa. É apaixonada por escrever, acredita na comunicação integrada e estuda para se tornar ? também ? profissional em Planejamento. Tem o site www.graziaraujo.com.

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