O problema dos partidos não está no nome, está na falta de essência!

Mesmo diante de uma imensa crise de representatividade os partidos políticos adotam uma estratégia de "reposicionamento de marca" para tentar melhorar a reputação negativa. …

Mesmo diante de uma imensa crise de representatividade os partidos políticos adotam uma estratégia de "reposicionamento de marca" para tentar melhorar a reputação negativa. Esta estratégia parte do pressuposto de que as siglas partidárias devem ser suprimidas, excluindo o "P" de partido e transformando o nome do partido em um "slogan", uma palavra que traga algum sentido para o eleitor, como se fosse uma palavra de ordem.
O PFL foi o percussor desta lógica em 2007, se tornando Democratas. Uma década depois, o DEM debate a possibilidade de alterar seu nome para Centro Democrático.
No debate para a exclusão do "P" de partido estão as seguintes propostas:
PTN  = que já virou "Podemos".
PTdoB = Avante.
PSDC = Democracia Cristã.
PSL = Livres.
PMDB = discute voltar a ser "MDB".
PP = propõe tirar o "P" de partido e deixar apenas o "P" de progressista.
PEN = Patriotas.
Os partidos deveriam ser os principais protagonistas do jogo democrático.  Por princípio, são o instrumento de informação e de familiaridade com as ideologias que deveriam balizar os programas de governo. E a ideologia de cada partido deveria estar alinhada com a premissa de cada um de seus candidatos.
Na democracia, que é o governo de muitos, os partidos deveriam manter ideologias coerentes ao longo do tempo e, paralelamente, deveriam ser confiáveis e honestos no cumprimento de suas promessas de campanha. Os partidos deveriam fazer a diferença entre si e todos deveriam visar o bem comum.
O problema não está no "P" de partido, mas no "P" de prática. Os partidos não fazem o que deveriam. E quanto maior for a inconsistência e fragilidade dos partidos políticos, maiores serão as relações entre os eleitores e as lideranças políticas visando interesses próprios, culminando na manutenção do clientelismo e na ampliação do personalismo político.
Os partidos precisam se preocupar menos com o nome e mais com a sua essência, com a reconstrução de suas ideias. Se os partidos querem se preocupar com um "P", que se preocupem com o "P" de propósito!

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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