Poeta e peregrino

Por José Antônio Moraes de Oliveira

 

"Perdi o verão com desenganos

E viagem nenhuma me contenta.

Gastei a vida, o principal e o juro.

Já não me sinto dono do futuro."

George Gordon Byron.

Ao completar 10 anos, ele herda um título nobiliárquico, além de uma grande herança em dívidas. Ainda adolescente, George Gordon Byron assume seus talentos - carisma, beleza física e um forte poder de sedução - que passa a usar sem escrúpulos. E, em 1805, sofre uma primeira desilusão amorosa - a vizinha Mary Ann Chaworth, por quem se apaixonara, casa-se com um rival. Ele ainda terá que superar muitas outras desilusões e amores contrariados. Consegue um bom emprego em Cambridge, mas não aparece para trabalhar, adotando o spleen, o estilo favorito dos poetas românticos.

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Escândalos sexuais e extravagâncias de vida não foram suficientes para ofuscar a beleza da poesia e a qualidade literária de tudo o que Lord Byron escreveu. Morre cedo, aos 36 anos, pranteado como um herói nacional na Grécia, país que adotara como segunda pátria. Como muitos escritores e poetas de vanguarda, não conhece em vida o reconhecimento de seus conterrâneos.

No entanto, após a morte, George Gordon Byron é consagrado como um dos grandes poetas britânicos. Sua carreira começa em 1808, com o primeiro livro de poesias, mal recebido pela comunidade literária. Sua resposta: um poema marcado por fina ironia, que recebe imediata notoriedade. Aos 21 anos, assume uma cadeira na Câmara dos Lordes, e embarca para uma longa temporada no Mediterrâneo e Egeu, com permanências em Portugal, Espanha, Malta, Albania, Grécia e Turquia. 

Volta à Inglaterra em 1811, para o enterro de sua mãe, e é recebido com entusiasmo pela sociedade londrina. Se deixa envolver em affairs amorosos, incluindo a notória Lady Caroline Lamb, que o descreve como "homem mau e muito perigoso". Casa-se, então, com uma intelectual, Anne Isabella Milbanke e gera uma filha, Ada Lovelace - mais tarde reconhecida como autora de um primeiro manual com programas matemáticos para processadores de dados. Ainda escravo dos hábitos libertinos, Byron vê o casamento fracassar e se afasta para sempre de sua mulher e filha.

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Nos poemas 'A Noiva de Abidos' e 'O Corsário', Lord Byron revela sua profunda tristeza e abatimento pelos escândalos que o atormentam. Em 1816, abandona de vez a Inglaterra e vai ao encontro do também poeta romântico Percy Bysshe Shelley. A temporada da dupla em Genéve e em Veneza se mostra extremamente fértil - tanto na poesia como nos casos amorosos. Então, Byron escreve o drama faustiano Manfred e dá início à sua obra-prima, Don Juan. E Shelley, inspirado depois de velejar com Byron no Lago Genéve, escreve Hino à Beleza Intelectual. E uma viagem  aos Alpes produz uma bela ode à natureza, que intitula Mont Blanc.

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Em 1823, já com a saúde abalada pelos excessos, Byron é convidado a apoiar o movimento pela independência da Grécia do Império Otomano. Doa mais de quatro mil libras de suas economias para ajudar a equipar a frota naval grega e assume o comando de um grupo de combate. Fica doente e morre vítima de grave infecção.                                                       Seu corpo é levado para Londres, mas lhe é negada a sonhada sepultura na Abadia de Westminster, onde pretendia ficar próximo a grandes como William Shakespeare, Geoffrey Chaucer e Charles Dickens. Acaba por ser enterrado no cemitério da família em Newstead e apenas em 1969, um memorial com seu nome é entronizado no piso da Abadia. Finalmente, Lord Byron faz companhia ao amigo Percy Shelley, que desde 1954, o aguarda no Poet's Corner.

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Autor
José Antônio Moraes de Oliveira é formado em Jornalismo e Filosofia. Atuou em jornal em A Hora, Jornal do Comércio e Correio do Povo. Trocou o jornalismo por publicidade, redigindo anúncios na MPM Propaganda. Diretor de contas internacionais, morou por anos na ponte aérea Porto Alegre/ São Paulo/ Rio/Miami/New York. Foi diretor de Comunicação do Grupo Iochpe e co-fundador do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão). Atualmente, reside na Serra gaúcha.

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