Qual o tipo de eleitor você é?

Há mais de duas décadas, eu e minha equipe do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião estudamos o comportamento da sociedade. E como a sociedade está em constante transformação, estudar o comportamento da sociedade é viver em um eterno aprendizado. E, neste período, houve muitas mudanças sociais e políticas, alterando o comportamento eleitoral, o de consumo e também a forma como as pessoas se relacionam entre si.

A cada ano, a cada campanha eleitoral ou promocional surgem os questionamentos clássicos:

- Qual a tendência do eleitor?

- O que motiva o consumidor?

- O que está acontecendo com os jovens?

No processo de decisão da sociedade há influências internas, que se expressam pelas preferências do indivíduo e estão alicerçadas em seus valores, vivências, crenças, acesso a informação, cultura, etc. Mas, também, há influências externas que advém dos relacionamentos sociais, dos acontecimentos e das frustrações impostas pela conjuntura. Estas influências externas motivam as projeções individuais que se expressam nos sonhos, nas expectativas e nos desejos e movimentam as tendências e inovações.

E pensando na atual conjuntura e no eleitor, quais os tipos de comportamento? Diante deste questionamento, o IPO elaborou uma tipologia do eleitor gaúcho, detalhando os principais tipos de comportamento que estarão presentes na decisão eleitoral dos gaúchos no processo eleitoral de 2018.

E onde você se encaixa como eleitor?

O eleitor esperançoso = É o eleitor predominante. Procura um candidato em quem possa acreditar, mesmo que se frustre depois. Acredita nas pessoas e não nos partidos. Tende a mudar de candidato a cada ciclo.

O eleitor de última hora = Deixa para escolher na última hora e, em muitos casos, pede ajuda a amigos e familiares. Este tipo de eleitor também é motivado pelos santinhos, em especial, as colas eleitorais. Este eleitor sempre foi simpático ao material jogado no entorno dos locais de votação no dia da eleição.

O eleitor que vota em benefício próprio = Vota no candidato que possa lhe resolver um problema ou trazer um benefício. É o típico eleitor clientelista que teve o seu princípio fortalecido pela ampliação das denúncias de corrupção. Este eleitor acredita que todos se beneficiam com a política.

O eleitor prático = Avalia a conjuntura do momento e vota em um candidato que tenha viabilidade, condições de executar o que propõe com menor margem de risco. Este eleitor também é conhecido como pragmático ou racional. Avalia o custo X benefício de sua decisão e tende a manter o governante que está desenvolvendo um trabalho satisfatório.

O eleitor ideológico = Tem uma visão de mundo e acredita em ideais e princípios. Vota por critérios políticos: seja pelo partido, por interesse de uma categoria ou de classe, por proposição do candidato ou pelo direito de uma minoria (causa específica).

O eleitor descrente = Compreende uma parcela significativa do eleitorado. Se decepcionou com a política ou nunca gostou. Não acredita na política e nos políticos e mantém a opção de não votar (não comparecer ou votar em branco e/ou anular o seu voto).

Estes tipos de comportamento são resultantes de fatores internos (os exemplos e a educação política que recebemos e transmitimos os nossos filhos em casa), e de fatores externos (a maneira como nos relacionamos e percebemos a política e a forma como a política e os políticos se relacionam com a sociedade).

Autor
Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO - Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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