Replicando Orhan Pamuk

 

"Escrevo para construir histórias".

(Ohran Pamuk)

***

 

Porque escrevo?

Escrevo porque os amigos esperam que eu escreva.

E porque minha alma precisa disso.

Escrevo porque, ao contrário de outros, não me sinto fazendo tarefas comuns, aquelas que todos sabem fazer.

Porque fico contente ao sentar em minha mesa e escrever sem censura, sem reservas.

 

Escrevo porque só é possível suportar a realidade, se tentar modificá-la.

Escrevo para que o mundo saiba, como nós - que moramos em pequenas cidades e vilas - vivemos, amamos e morremos.

 

Escrevo porque gosto do cheiro do papel e da tinta da caneta.

E porque acredito muito mais na literatura, na arte, na música do que na política e na economia.

 

E porque se tornou um hábito, quase uma paixão.

Escrevo porque tenho medo de ser esquecido.

Porque gosto da notoriedade dos meus amigos escritores.

Escrevo para ficar sozinho.

 

Escrevo porque estou irritado com as coisas, com pessoas mal-educadas.

E escrevo na esperança de entender esta impaciência com os outros.

 

E porque é gratificante ser lido.

E fazer que as pessoas sonhem.

E porque estou tentando terminar de uma vez os contos e as novelas que ainda não comecei a escrever.

 

Eu escrevo porque mantenho uma fé adolescente na imortalidade das bibliotecas e dos livros que guardo nas estantes.

 

Escrevo porque este mundo é incrível, belo e maravilhoso.

Escrevo para tentar traduzir em palavras esta alegria da beleza e da opulência.

Eu escrevo para me libertar da ideia de que existe um Éden em que nunca poderei chegar.

 

Escrevo para ser lido e lembrado pelos outros.

Eu escrevo, não para contar histórias, mas para construir histórias.

 

Escrevo porque existem pessoas que não conseguem ser felizes.

Finalmente, escrevo para ser feliz.

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Autor
José Antônio Moraes de Oliveira é formado em Jornalismo e Filosofia. Atuou em jornal em A Hora, Jornal do Comércio e Correio do Povo. Trocou o jornalismo por publicidade, redigindo anúncios na MPM Propaganda. Diretor de contas internacionais, morou por anos na ponte aérea Porto Alegre/ São Paulo/ Rio/Miami/New York. Foi diretor de Comunicação do Grupo Iochpe e co-fundador do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão). Atualmente, reside na Serra gaúcha.

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