Tiro sem alvo

Que o whats virou um novo canal de comunicação não é novidade para ninguém. Ainda tem quem use o SMS também. O que escrevo hoje é sobre a necessidade de pensar sobre como (ou se) utilizar essas ferramentas para conversar com os consumidores. Cada vez mais as lojas e/ou os vendedores estão enviando mensagens para os clientes, sem ter a noção se são ou não bem recebidas.

Eu não lembro de ter autorizado essa forma de contato, mas obviamente ao fazer o cadastro, repasso meu número de celular. Talvez fique subentendido ao ceder este dado. Como você recebe essas informações? Gosta? Acha um saco? Lê? Toma alguma decisão de compra por esse meio? Repassa aos amigos?

Uma observação ingênua de uma amiga que me fez pensar nisso. Enquanto conversávamos sobre outro assunto, o celular apitou e ela disse assim: "Recebo direto mensagem dessa loja. Devem estar vendendo pouco, pois lotam a minha caixa". Provoquei e perguntei se ela achava isso chato e ela disse que sim, além de ter mudado o conceito da marca. "Eu costumava ir até lá por ser uma loja mais exclusiva, mesmo com preços mais altos. Mas agora me sinto confusa, pois a maioria das mensagens fala em descontos, saldos e promoções".

Difícil, né? Será que o lado de lá, que envia, sabe como a informação é recebida? Como a marca está sendo percebida? Só disparar e não ouvir o receptor, nesses casos, fica meio arriscado.

Não tenho opinião formada sobre o assunto (mas confesso que acho um pouco chato do jeito que é feito pela imensa maioria). Porém, pode ser que haja formas de otimizar este contato, por que não? E se as mensagens fossem mais personalizadas? Ou então pensadas para os clientes mais fiéis? Algo que fizesse realmente a diferença na decisão de compra. Mais focado em qualidade do que na quantidade de números cadastrados, sabe? Atirar para todos os lados sem saber ao certo qual o seu alvo talvez não seja a melhor maneira de vender mais e melhor. Muito menos, de se comunicar.

Autor
Grazielle Corrêa de Araujo é formada em Jornalismo, pela Unisinos, pós-graduada em Marketing de Serviços, pela ESPM, e com MBA em Propaganda, Marketing e Comunicação Integrada, pela Cândido Mendes. É a responsável pela Comunicação Social do IPE, da Sociedade de Cardiologia do RS (Socergs) e da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Atuou ainda na comunicação da Martins + Andrade, Uffizi, CDL Porto Alegre, Palácio Piratini e Assembleia Legislativa. Tem o site www.graziaraujo.com.

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