Uma vida de enfrentamento

25 de novembro. Dia de Santa Catarina. Dia Internacional de Não-violência Contra a Mulher. Dia da morte das irmãs Mirabal, dominicanas que se opuseram à ditadura de Trujillo e, por isso, foram assassinadas pelo regime. Mais um dia de luta. Mais um dia no qual muitas mulheres tentam escapar de ciclos de violência. O Brasil é o quinto país mais violento com as mulheres, onde 503 mulheres sofrem agressão física por hora e ocorrem 13 feminicídios por dia. Cerca de 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, entre janeiro e setembro de 2017, as mulheres gaúchas receberam 3.003 ameaças, 2.639 sofreram lesão corporal, 172 foram vítimas de estupro, sete feminicídios foram consumados e tiveram outras 69 tentativas. Fora o que não é denunciado e registrado. Cada um de nós conhece uma mulher que sofreu violência, seja ela física ou psicológica. Cada um de nós já escutou uma história de violência sofrida por uma mulher. E muitos de nós também conhecemos pelo menos um agressor.

É uma triste realidade e que, infelizmente, alguns não conseguem enxergar. Acham e dizem por aí que não passa de mimimi. Os números deveriam mostrar para essas pessoas como é importante este enfrentamento, mas nem sempre eles bastam. Às vezes, é necessário escutar um, dois, 10 relatos para ter uma vaga ideia da dimensão do que acontece fora da nossa bolha. E para essa conscientização, os coletivos e movimentos feministas têm realizado um belo e exaustivo trabalho.

Alguns deles se uniram na Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, uma mobilização anual praticada pela sociedade civil e pelo poder público engajados neste enfrentamento. A programação se iniciou no sábado, 25 de novembro, com um ato e ação cultural promovidos pela Ocupação Mulheres Mirabal, que completou um ano na data, e segue até 8 dezembro. Eu estive lá e pude sentir de perto a energia de mobilização, a vontade que essas meninas têm de fazer algo para mudar o que está posto. É lindo de ver e de viver! É de arrepiar e renovar as esperanças.

Sabemos que dificilmente o cenário irá mudar sem que outras partes da sociedade se envolvam. Sem que o poder público tenha políticas públicas fortes que protejam e deem suporte às mulheres. Sem que nossos legisladores escutem mais as mulheres no momento de fazerem projetos de leis que envolvem os nossos corpos e as nossas vidas. Sem que os homens tenham consciência que as mulheres não são obrigadas a nada e que seus corpos são somente delas e não de quem quiser. Deve ser um esforço conjunto. Porque não existe apenas um dia de luta contra a violência à mulher, é uma vida de enfrentamento.

Se alguém tiver interesse em saber mais sobre a programação da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, basta acessar o blog : http://paremdenosmatarportoalegre.blogspot.com.br.

Autor
Jornalista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Marketing e mestre em Comunicação - e futura relações públicas. Há 15 anos, atua em assessoria de imprensa, comunicação corporativa, produção de conteúdo e relacionamento. Possui experiência no atendimento de clientes, públicos e privados, das áreas de educação, moda, gastronomia, entretenimento, música, varejo, construção civil, setor moveleiro, automobilístico e instituições financeiras. Tem passagens pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, e, na área cultural, fez a divulgação de mais de 30 shows nacionais e internacionais na capital gaúcha. Atualmente, é Gerente de Atendimento na CDN Sul e integra a diretoria da ABRP RS/SC.

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