Viagens

Por Flavio Paiva

As mais variadas formas de viagem têm um potencial gigantesco, desde que bem aproveitadas.

Uma das mais famosas é a viagem "na maionese" (eu nunca entendi por que este nome, se algum leitor ou leitora souber, por favor me explique): um devaneio, uma piração em cima de algum tema ou fato, algo que se assemelha ao efeito de estar drogado, vendo camaleões coloridos em uma estrada do deserto, mas com muita paz.

Representa pegar algo (tema) e dissertar sobre ele (acreditando, óbvio, na dissertação), sem nenhum fundamento e nem mesmo conexão com a realidade(aqui incluo como realidade a criatividade, a inovação). Exagerar algum fato. Achar que algo pode dar catastroficamente errado. Atribuir culpa a alguém sem nenhuma razão. Enfim, são várias as conexões possíveis com uma viagem na maionese.

Aterrissando um pouco (ou nem tanto), temos as viagens em si: seja de uma cidade para outra, seja até de uma região da cidade para outra, seja de um estado para outro, de um país, de um continente, enfim. Neste caso, ampliam-se as possibilidades de novas conexões, relações, insights, imagens, sons, conhecimento de novas realidades e pessoas, outras formas de viver. Um antigo busdoor dizia (era de uma agência de viagens) que ninguém volta igual de uma viagem. E apresentava o indivíduo "antes" e "depois" da viagem, naturalmente completamente diferente. Mesmo que você não altere sua aparência física(que era o caso dos busdoor), é quase inevitável que o que vai dentro de você se altere: seu modo de ver o mundo e a vida.

Outra forma de viajar que também adoro é o cinema. As artes, em geral. Ao entrar em uma sala de cinema, quando começa um filme, a conexão com aquela história, realidade, paisagens, locais, música, personagens, tudo é muito mágico. Sou dos que entra dentro da tela do cinema e das suas histórias. Um bom filme é algo fantástico. Pode ser, a exemplo das viagens que falei acima - e falarei abaixo - transformador. Ou no mínimo que toque fundo a sua sensibilidade e o faça refletir. Profundamente.

Uma questão bastante importante: a companhia em todas as viagens. Se qualquer uma destas viagens for acompanhada de alguém que você ama, ou que tem o mesmo olhar para o mundo que você, ou é um amigo ou amiga especial, que tem a mesma sensibilidade, a viagem muda ainda mais. A viagem pode ser sim uma jornada solitária, às vezes até necessária. Mas se estamos ao lado do amor, do amigo, de alguém que tenha os olhos de ver o mesmo que você, o potencial de transformação e depois recordação se amplia exponencialmente.

Posso citar ainda a literatura como uma viagem. Entrar em um livro, viver o drama de seus personagens, alegrar-se e entristecer-se, ficar na expectativa ou até triste quando algum desfecho se dá é uma viagem fantástica também. E mesmo que ler seja uma atividade solitária, encontrar quem tenha lido aquele mesmo livro e tenha interior rico para discutir sobre a obra, é mágico.

As viagens são mágicas.

Ainda posso citar a música como uma grande viagem, sonora e igualmente transformadora. Ela literalmente nos embala, pode nos "pegar no colo" e fazer irmos a lugares que nem mesmo sabíamos que existiam. Ou sabíamos e revisitamos. Pode alterar o nosso estado de humor, nossos sentimentos. Além da beleza que uma música tem em si. Deveria ser necessário passaporte para ouvir música.

Eu poderia ficar citando diversas outras formas de viagem, mas não vou me alongar pra não perder os leitores na minha viagem aqui na coluna. Verão que citei a palavra viagem inúmeras vezes ao longo desta coluna, mas foi intencional. Esta coluna, para mim, esperando que tenha atingido aos leitores também, foi uma grande e emocionante viagem.

DICAS DO GUION

Pois uma das formas de viagem de que falei foi o cinema. E nada mais cinema do que o Guion, na Cidade Baixa, outro lugar de viagens de todos os tipos. E sem perder tempo, vamos às Dicas do Guion, com grandes novidades e continuações!

ESTREIAS

- PARASITA (Suspense, Coreia do Sul, 132 min, Direção de Joon-ho Bong)

- VENTOS DA LIBERDADE (Suspense-Histórico, Alemanha, 125 min, Direção de Michael Bully Herbig)

PRÉ-ESTREIA NACIONAL

- A VIDA INVISÍVEL (Drama-Romance, Brasil-Alemanha, 129 min, Direção de Karim Aïnouz)

EM CARTAZ

E seguem em cartaz os fabulosos A Odisseia dos Tontos (com Ricardo Darín), A Tabacaria e Segredos Oficiais.

Vá fazer esta viagem, vá hoje mesmo! E viaje também nas delícias da cafeteria, nas obras de arte, nos raríssimos CDs e livros!

www.guion.com.br

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